
Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil
O ataque dos Estados Unidos ao Irã provocou reação imediata no mercado financeiro internacional, com forte alta no preço do petróleo e do gás natural. O conflito no Oriente Médio entrou no terceiro dia após ameaças do presidente Donald Trump se concretizarem em ofensiva militar nas últimas horas.
O barril de petróleo registrou alta de 7,8%, sendo negociado a US$ 78. Analistas de mercado e empresas de investimento avaliam que o preço pode alcançar a marca de US$ 100 ao longo da semana, patamar que não é observado há anos. A elevação reflete o risco geopolítico e a incerteza sobre o fluxo global de energia.
O impacto é mais intenso do que em episódios anteriores envolvendo outros países produtores, devido ao peso estratégico do Irã no mercado internacional. Além de grande produtor e exportador, o país controla o Estreito de Hormuz, rota marítima por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo.
Embora o estreito permaneça oficialmente aberto, navios petroleiros evitam atravessar a região após alertas do governo iraniano sobre possíveis ataques. Há embarcações paradas nas proximidades, mesmo carregadas, diante do risco de escalada militar. A retenção da carga ocorre em meio à valorização acelerada do petróleo.
A OPEP, organização que reúne grandes produtores, discute medidas para conter a disparada dos preços. A Arábia Saudita anunciou aumento de produção, mas análises indicam que a iniciativa pode não ser suficiente para neutralizar os efeitos da crise.
O conflito também envolve Israel e o Líbano. O Irã afirmou ter realizado ataques contra o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informação ainda não confirmada por Israel. Em resposta, Israel intensificou ações militares contra alvos ligados ao Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
Trump declarou que as ofensivas continuarão até que objetivos militares sejam atingidos, indicando possibilidade de prolongamento da crise. No Brasil, a alta do petróleo pode pressionar combustíveis e influenciar a política monetária. O Banco Central tem reunião prevista nos próximos dias e avaliava tendência de redução da taxa de juros, cenário que pode ser revisto diante da instabilidade internacional.
A evolução do conflito no Irã e seus reflexos no preço do petróleo seguem no centro das atenções dos mercados globais.
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