
Trump Casa Branca
Doug Mills/Reuters
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que uma eventual taxação dos Estados Unidos sobre países que mantêm relações comerciais com o Irã não deve ter impacto significativo para o Brasil. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, exibido nesta quarta-feira.
Segundo Alckmin, até o momento não há nenhuma formalização por parte do governo norte-americano sobre a imposição de novas tarifas. Ele ressaltou que, apesar de declarações recentes do presidente Donald Trump, a Casa Branca e o Tesouro dos Estados Unidos não anunciaram oficialmente medidas nesse sentido. Por isso, o governo brasileiro acompanha o cenário com cautela e não pretende se manifestar antes de uma decisão concreta.
O vice-presidente destacou ainda que a relação entre Brasil e Estados Unidos permanece estável e positiva. De acordo com ele, o diálogo bilateral segue o mesmo patamar alcançado após negociações recentes que resultaram na reversão parcial de tarifas aplicadas anteriormente pelo governo norte-americano. Nesse contexto, Alckmin avaliou que não há, neste momento, motivo para preocupação adicional.
Ao comentar especificamente a relação comercial entre Brasil e Irã, o ministro observou que o volume de negócios é relativamente pequeno. Embora exista superávit expressivo para o lado brasileiro, com exportações na casa de bilhões de dólares e importações muito inferiores, Alckmin afirmou que essa relação não representa um fator de risco relevante diante de uma possível supertarifação.
Segundo ele, a aplicação de tarifas a países que mantêm comércio com o Irã enfrentaria dificuldades práticas, já que mais de 70 nações, incluindo países europeus, possuem algum nível de relação comercial com o país do Oriente Médio. Para o vice-presidente, isso tornaria a medida complexa e de difícil implementação em larga escala.
Durante a entrevista, Alckmin também comentou o avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, cuja assinatura formal está prevista para o próximo sábado, em cerimônia em Assunção, no Paraguai. O tratado é resultado de 26 anos de negociações e envolve um dos maiores blocos comerciais do mundo.
De acordo com o vice-presidente, a expectativa do governo brasileiro é que o agronegócio seja o setor mais beneficiado pelo acordo, com ampliação significativa do acesso ao mercado europeu. Ele explicou que, após a assinatura, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, no Brasil, pelo Congresso Nacional, para que seja internalizado na legislação.
A previsão apresentada por Alckmin é que a aprovação ocorra ainda no primeiro semestre, permitindo que o acordo entre em vigor no segundo semestre deste ano. Pelos termos negociados, os países do Mercosul devem reduzir tarifas sobre cerca de 91% dos produtos importados da União Europeia em até 15 anos, enquanto o bloco europeu prevê a eliminação de tarifas para aproximadamente 95% dos bens vindos do Mercosul em até 12 anos.
Setores considerados sensíveis, como o automotivo e o de autopeças, terão períodos de transição mais longos, variando entre 10 e 18 anos. Já produtos industriais como máquinas, químicos e aeronaves poderão ter tarifas zeradas de forma imediata ou em prazos mais curtos, conforme o cronograma do acordo.
Para Alckmin, o tratado deve impulsionar o emprego, a renda e os investimentos recíprocos, fortalecendo não apenas o agronegócio, mas também a indústria e o setor de serviços no Brasil.
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