
rio de janeiro
Reprodução/Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve nesta segunda-feira (3) no Rio de Janeiro para reuniões com autoridades locais após a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 117 mortos e reacendeu o debate sobre o uso da força em comunidades. A visita ocorre após a divulgação de um balanço oficial da operação, que revela que 95% dos mortos tinham ligação com o Comando Vermelho e mais da metade deles eram oriundos de outros estados.
Moraes foi recebido pelo governador Cláudio Castro e representantes das forças de segurança no Centro Integrado de Comando e Controle da Polícia Militar, no centro do Rio. A reunião, realizada a portas fechadas, durou cerca de três horas. O ministro também deverá se encontrar com membros do Judiciário, do Ministério Público e com o prefeito Eduardo Paes.
No domingo (2), Moraes determinou que o governo estadual preserve todos os elementos materiais da operação, incluindo perícias e cadeias de custódia, para garantir a validade das provas. A medida ocorre em meio à repercussão nacional da operação, que resultou também na morte de quatro policiais.
Dados atualizados revelam que 115 dos 117 mortos já foram identificados, dos quais 97 possuíam antecedentes criminais e 59 tinham mandados de prisão em aberto. Além disso, 62 eram de fora do estado, oriundos de regiões como Ceará, Bahia, Goiás, Paraíba e Mato Grosso. Entre os mortos, há líderes de facções criminosas de 11 estados do país. A operação resultou ainda na apreensão de 193 fuzis, 120 armas e na prisão de 113 pessoas, sendo 33 de outros estados.
Imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram confrontos intensos entre os agentes e criminosos fortemente armados, equipados com fuzis de uso militar, como AK-47 e AR-15. Entre as vítimas fatais da polícia está o sargento Cleiton Gonçalves, baleado enquanto tentava resgatar um colega ferido em uma área de mata.
A operação foi marcada por cenas de guerra urbana, com barricadas, tiroteios intensos e resgates de agentes feridos. A complexidade do cenário reacende discussões sobre a aplicação da decisão do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que condiciona ações policiais em comunidades a critérios como uso de câmeras corporais e comunicação prévia ao Ministério Público.
Ainda não há informações sobre os desdobramentos práticos das reuniões de Moraes com as autoridades fluminenses. A expectativa, no entanto, é de que a atuação policial no Rio continue sob monitoramento atento do STF, especialmente diante da possibilidade de novas operações em áreas dominadas por facções criminosas.
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