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Blota: apoio à Palestina isola Israel na Assembleia ONU, marcada por tensão Lula-Trump

Em um movimento diplomático histórico que redesenha o cenário do Oriente Médio, Canadá, Reino Unido, Austrália e Portugal reconheceram, oficialmente, o Estado da Palestina

Por Redação
REDAÇÃO

22/09/2025 • 11:22 • Atualizado em 22/09/2025 • 11:22

Sonia Blota
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Lula durante entrevista para Reinaldo Azevedo, da BandNews FM

Lula durante entrevista para Reinaldo Azevedo, da BandNews FM

Ricardo Stuckert / PR

Em um movimento diplomático histórico que redesenha o cenário do Oriente Médio, Canadá, Reino Unido, Austrália e Portugal reconheceram, oficialmente, o Estado da Palestina nesse domingo (21).

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A decisão amplia a pressão internacional por uma solução de dois Estados e deve ser seguida pela França, cujo presidente, Emmanuel Macron, já anunciou que acompanhará as outras nações durante a Assembleia Geral da ONU, que começa nesta segunda-feira (22), em Nova York.

A iniciativa aumenta o isolamento diplomático do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Ele reagiu duramente, classificando a medida como um "risco de sobrevivência" para Israel e prometendo que "jamais existirá um Estado palestino".

Outros membros do G7, no entanto, adotam cautela. O Japão evita a medida para não se indispor com seu principal parceiro econômico, os Estados Unidos. Já a Alemanha, em função de sua "dívida moral" com Israel desde o fim da Segunda Guerra Mundial, evita tomar posições contrárias ao Estado judeu.

Situação do Brasil

É nesse cenário de alta tensão que líderes mundiais se reúnem para a 80ª Assembleia Geral da ONU, onde temas como o massacre na Faixa de Gaza, a guerra na Ucrânia, a defesa da democracia e o meio ambiente estarão em pauta.

Mantendo a tradição, o Brasil será o primeiro país a discursar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já desembarcou nos Estados Unidos com uma comitiva, significativamente, menor que a do ano anterior: 58 membros, em contraste com os 161 de 2024.

A participação brasileira ocorre em um contexto de crise diplomática com os Estados Unidos. Os presidentes Lula e Donald Trump estão em rota de colisão desde o julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além da adoção de políticas pelo atual governo brasileiro consideradas hostis pela Casa Branca.

A medida em discussão que mais irrita Trump é a defesa de um comércio exterior “desdolarizado”, o que já resultou na imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras com destino aos EUA.

A polêmica se estendeu à própria comitiva brasileira. Washington cancelou os vistos de alguns dos membros. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, teve visto suspenso e só recebeu autorização para entrar nos EUA no último dia 16.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que perdeu o visto devido ao seu envolvimento no programa Mais Médicos — condenado pelo governo americano —, recebeu autorização com limitações e, por isso, desistiu de participar.

A assembleia marcará a primeira vez que Lula e Trump estarão frente a frente, desde que o americano foi eleito para o segundo mandato. Contudo, não há qualquer indicação de que os dois presidentes irão se encontrar ou conversar.

O governo brasileiro enfrenta dificuldades inéditas de diálogo com os Estados Unidos, um país com mais de 200 anos de amizade com o Brasil, nosso principal investidor externo e o terceiro maior parceiro comercial, atrás apenas da China e da União Europeia.

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