
Nicolas Sarkozy
REUTERS/Stephanie Lecocq
A prisão do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que comandou a França entre 2007 e 2012, repercutiu em todo o mundo. É a primeira condenação à prisão em regime fechado de um ex-chefe estado na França.
Sarkozy já havia sido condenado em outros dois processos e desde maio já usava tornozeleira eletrônica. Mas desta vez o Tribunal Penal de Paris o condenou a 5 anos de reclusão. A acusação havia pedido a condenação por corrupção, financiamento ilegal de campanha e associação com malfeitores, que se aproxima, no Brasil, de associação criminosa. Tudo isso com envolvimento com o regime líbio de Muamar Khadafi.
A Líbia teria ajudado a financiar a campanha presidencial de Sarkozy em troca do presidente francês ajudar a melhorar a imagem de Khadafi no mundo. O regime ditatorial de Khadafi começou com um golpe militar em 1969 e terminou em 2011 quando ele foi linchado em praça pública durante a primavera árabe. Um regime associado ao terrorismo internacional.
O tribunal de Paris absolveu o ex-presidente de corrupção para benefício próprio – já que não houve enriquecimento ilícito pessoal – e também de fraudes no financiamento de campanha. Porém, Sarkozy foi considerado culpado por associação já que apoiou dois de seus assessores a negociar com Khadafi todo projeto.
O ex-líder da França ainda pode recorrer da sentença. Mas o que está causando polêmica, além da pena de 5 anos de reclusão, é a sua execução provisória. Ou seja, mesmo que o presidente tenha o direito de recorrer para uma segunda instância terá que permanecer preso.
Correligionários do ex-presidente falam em execução política. E se dizem surpresos da condenação de Sarkozy, já que o próprio tribunal admitiu não haver provas de uso de dinheiro ilegal nem na campanha e nem para favorecimento pessoal. Outro ponto controverso é quanto a execução provisória da pena já que o presidente pode vir a ser inocentado.
Já existe um debate na Assembleia para mudar a lei a execução provisória. A respeito da lei, outro caso muito falado por aqui, foi a condenação por uso indevido de verba, da direitista marine Le Pen, que também foi condenada em execução provisória o que a impede de concorrer à presidência em 2027, mesmo que entre com recurso.
Agora, a França aguarda o desfecho do caso Sarkozy que em duas semanas saberá detalhes de como vai cumprir sua sentença. Mas é bem provável que não escape de um período em um presídio.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:



