
Trump e Lula
REUTERS/Annabelle Gordon/Nathalia Angarita
Autoridades brasileiras e norte-americanas se reúnem nesta quinta-feira para discutir a crise diplomática entre os dois países, deflagrada pela aplicação de tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras. O encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi incluído na agenda oficial do governo dos Estados Unidos.
A principal motivação das tarifas, segundo Jameson Greer, representante comercial dos EUA, está ligada a “preocupações extremas” com o estado de direito, censura e direitos humanos no Brasil. Ele afirmou que 40% dessas tarifas estão diretamente relacionadas à atuação do Judiciário brasileiro, especialmente decisões do ministro Alexandre de Moraes, que teriam imposto censura a redes sociais com sede nos EUA e atingido cidadãos americanos.
Essas medidas, segundo os americanos, violam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e não seguiram os trâmites legais de cooperação internacional para aplicação de sentenças estrangeiras em solo americano.
Especialistas apontam que a escalada das tarifas é também motivada por questões estratégicas. O Brasil vem tentando alterar o padrão do comércio global, defendendo a “desdolarização” — ideia que perdeu força nos discursos recentes do presidente Lula. Outro fator é a sensível questão das chamadas "terras raras", minerais estratégicos para a indústria tecnológica e militar, que podem ser exploradas em território brasileiro.
Em análise no Jornal Gente, o advogado Emanuel Pessoa defendeu que o Brasil utilize sua reserva de terras raras como carta geopolítica nas negociações, propondo uma política de exploração com refino local para atrair indústrias de alta tecnologia ao país, nos moldes do que foi feito com a CSN na era Vargas.
Apesar do tom duro adotado por autoridades americanas, inclusive com menção à Lei Magnitsky — já aplicada a Alexandre de Moraes —, a reunião representa uma abertura diplomática importante. Ainda assim, especialistas alertam que as decisões finais dependerão de articulações diretas entre os presidentes Lula e Donald Trump, visto que os negociadores designados seguem apenas diretrizes superiores.
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