Rádio Bandeirantes
Rádio Bandeirantes

Brasil recorre à OMC contra tarifaço, mas diplomacia vê reversão difícil

Em análise no quadro AgroMais, diplomata Rubens Barbosa destaca enfraquecimento de organismos internacionais e aponta foco das exportações para negociações com a União Europeia.

Da redação
DA REDAÇÃO

30/07/2026 • 00:50 • Atualizado em 30/07/2026 • 00:50

O governo brasileiro decidiu recorrer formalmente à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. A medida passa a valer para os navios que desembarcarem no território norte-americano com alíquotas que variam de 25% a 37,5% adicionais sobre os produtos.

Compartilhar

Apesar da ação oficial, analistas e diplomatas avaliam que as chances de uma solução prática imediata via OMC são reduzidas. Em conversa trazida pelo jornalista Valteno de Oliveira no quadro AgroMais, da Rádio Bandeirantes, o embaixador e presidente da Abitrigo, Rubens Barbosa, ponderou que entidades multilaterais perderam força no cenário geopolítico atual e que o recurso do Brasil funciona mais como um rito diplomático necessário do que como uma garantia de recuo nas taxas antes das eleições norte-americanas.

Foco Voltado para Exigências da União Europeia

Com o impasse e o aumento das barreiras no mercado norte-americano, as atenções do agronegócio nacional se voltam para a União Europeia. A partir de setembro, entram em vigor novas restrições do bloco europeu à compra de produtos brasileiros, afetando setores de peso como carne bovina, carne de frango, pescados e mel.

Diferente do cenário nos EUA, diplomatas enxergam maior espaço de manobra política e negociação junto aos europeus. O esforço brasileiro busca atuar de forma coordenada no âmbito do Mercosul para proteger as exportações do setor agropecuário e reverter ou mitigar os impactos das proibições anunciadas.