
Canetas emagrecedoras
Reprodução/Jornal da Band
O crescimento acelerado do uso de canetas emagrecedoras no Brasil tem impulsionado um mercado clandestino de medicamentos, levando autoridades sanitárias e policiais a intensificarem ações de combate à importação irregular e à produção ilegal desses produtos. A alta demanda, impulsionada pelo custo elevado das versões originais e pela exigência de prescrição médica, tem levado consumidores a buscar alternativas em canais não autorizados, ampliando os riscos à saúde.
Uma operação da Polícia Federal em andamento mira grupos envolvidos na entrada irregular desses medicamentos no país e na fabricação clandestina. Ao todo, foram expedidos 45 mandados de busca e apreensão e realizadas 24 ações de fiscalização em 11 estados, incluindo São Paulo, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Espírito Santo.
Os números de apreensões indicam a dimensão do problema. Em 2024, foram registradas 609 apreensões de canetas emagrecedoras. No ano seguinte, o volume saltou para 60.700. Já em 2026, apenas até março, mais de 54 mil unidades foram apreendidas, evidenciando a expansão do mercado ilegal.
O aumento da circulação desses produtos também acendeu um alerta na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a agência, houve um crescimento expressivo na importação de insumos utilizados na fabricação das canetas, como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Apenas no segundo semestre do ano passado, foram importados 130 quilos desses princípios ativos, quantidade suficiente para produzir cerca de 25 milhões de unidades.
Diante disso, a Anvisa anunciou medidas para restringir a importação irregular e reforçar a fiscalização sobre farmácias de manipulação e distribuidores. Em 2026, a agência realizou 11 inspeções, das quais oito resultaram no fechamento de empresas por irregularidades como ausência de registro sanitário, falhas de controle de qualidade, problemas de esterilidade e uso de insumos de origem desconhecida.
Além do risco associado à falsificação e à falta de controle sanitário, especialistas alertam para o uso indiscriminado das canetas emagrecedoras. Embora sejam consideradas eficazes quando indicadas corretamente, o uso sem acompanhamento médico pode provocar efeitos adversos, como perda de massa muscular, inflamação do pâncreas e internações hospitalares.
Casos de pancreatite, inclusive, estão sendo investigados em pacientes que teriam utilizado produtos falsificados. A ausência de controle sobre a procedência dos medicamentos agrava o cenário, tornando o consumo ainda mais perigoso.
Profissionais da área de saúde reforçam que o emagrecimento deve ser tratado de forma multidisciplinar, envolvendo não apenas medicamentos, mas também reeducação alimentar, prática de atividade física e acompanhamento psicológico. O uso isolado das canetas, sem mudanças de hábitos, pode comprometer os resultados e trazer prejuízos à saúde.
O avanço do uso desses medicamentos também reflete pressões estéticas e comportamentais, amplificadas pelas redes sociais, que incentivam padrões de magreza extrema. Nesse contexto, autoridades e especialistas destacam a necessidade de conscientização sobre o uso responsável e os riscos associados ao consumo irregular.
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