Após a polícia localizar nesta quarta-feira o corpo de Vitória Regina de Souza, de 17 anos desaparecida na cidade de Cajamar, região metropolitana de São Paulo, desde 26 de fevereiro, a Justiça negou o pedido de prisão e de busca e apreensão do ex-namorado da jovem nesta quinta-feira (6)*. O juiz Marcelo Henrique Mariano considerou que, por ora, “não há indícios seguros da autoria do crime”.
Mais cedo, em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o delegado responsável pelas investigações, Aldo Galiano, afirmou que a prisão foi pedida após inconsistência no depoimento do rapaz.
Segundo Galiano, 14 pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil e os agentes trabalham na recuperação das ligações recebidas e efetuadas por Vitória e outros suspeitos na noite do crime.
O delegado afirmou ainda que o ex-namorado da jovem chegou a apresentar um álibi, mas a cronologia dos fatos narrados por ele não batem com o depoimento de outras pessoas já ouvidas na investigação do caso.
Apesar de apresentar um álibi, dizendo que estava com uma menina menor de idade na hora dos fatos, a cronologia temporal que ele apresenta não bate com as das demais testemunhas. Pela inconsistência, a gente pediu a prisão temporária
O delegado narra ainda que, segundo as investigações, Vitória relatou ter sido seguida por dois homens, que entram com ela no ônibus enquanto ela voltava do trabalho na noite de 26 de fevereiro. Em seguida, outras duas pessoas teriam seguido a menina em um carro.
Pai pediu pelo fim do relacionamento
Segundo as investigações e oitivas já realizadas, o pai de Vitória pediu que os dois se separassem. Eles já não namoravam mais na data do crime, e Vitória estava se relacionando com uma outra pessoa que o ex conhecia.
O delegado diz se tratar de um crime de vingança. O corpo da jovem, encontrado em um local de difícil acesso, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
Familiares identificaram Vitória por tatuagens. Ela estava nua, degolada e com o cabelo raspado, segundo Galiano.
“Pela cabeça raspada, demonstra um crime praticado por facção criminosa. É muito usado esse tipo de punição e envolve relacionamento passional com alguém que faça parte do crime organizado", disse o delegado. As investigações do caso seguem.

Última imagem de Vitória Regina de Souza, em 26 de fevereiro
Desaparecimento de Vitória
A jovem foi vista pela última vez na noite de 26 de fevereiro. Imagens de câmeras de segurança mostram que ela saiu do shopping onde trabalhava e caminhou em direção a um ponto de ônibus – trajeto que costumava fazer diariamente.
Vitória embarcou no coletivo e enviou mensagens por um aplicativo de celular para uma amiga dizendo que tinha desconfiado da atitude de dois homens.
Em seguida, segundo depoimento do motorista do ônibus, ela desceu sozinha no mesmo local de sempre, em uma estrada de terra do bairro Ponunduva, região de chácaras onde vive com a família. Em seguida, desapareceu.
ERRATA: O texto informava de forma que a Justiça havia acatado o pedido da Polícia e decretado a prisão do ex-namorado da vítima, o que não aconteceu. A informação tinha sido divulgada em nota pela Secretaria de Segurança Pública nesta manhã e foi corrigida pelo órgão durante a tarde.
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