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Uma nova corrida armamentista está em curso no Oceano Pacífico, elevando as tensões entre China e Estados Unidos a um nível preocupante. A análise foi feita pelo professor de relações internacionais e economia do Ibmec, Alexandre Pires, em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes. Segundo ele, a recente apresentação do mais novo e avançado porta-aviões chinês é um sinal claro de que Pequim quer projetar poder e desafiar a dominância americana na região.
De acordo com Pires, o movimento chinês desencadeia um "efeito em cadeia", forçando outras nações como Japão, Austrália e Reino Unido a também se rearmarem, o que torna o cenário global "extremamente preocupante".
"Em algum momento tem que se decidir quem é o mais forte, e nós sabemos que a única forma que existe para isso é a guerra", alertou o especialista.
O epicentro dessa disputa é Taiwan.
O professor afirma que uma eventual invasão chinesa à ilha é o único evento que ele considera que poderia, de fato, levar a uma Terceira Guerra Mundial.
"A questão de Taiwan não é só sobre semicondutores. A China não tem um acesso direto ao Pacífico, ela está presa. Para chegar ao oceano, precisa passar por mares territoriais de outros países, como Japão e Filipinas", explicou. A tomada de Taiwan, portanto, seria crucial para a projeção de poder naval de Pequim.
O isolamento e a irrelevância do Brasil
Enquanto as superpotências medem forças, o Brasil se encontra em uma posição de isolamento e irrelevância no tabuleiro geopolítico. Questionado pelo jornalista Claudio Humberto sobre o papel do país nesse cenário, o professor Alexandre Pires foi taxativo: "O Brasil não é um ator importante nesse tabuleiro geopolítico, sobretudo do ponto de vista militar. Não temos essa capacidade de influir nesse jogo".
Segundo o especialista, embora o gasto militar brasileiro não seja aparentemente baixo, ele é mal direcionado.
"É um gasto dirigido para manutenção de pessoal, sabendo que nossos militares fazem diversas funções não ligadas a combate. Isso faz com que o gasto não se reflita em um desfile com a última tecnologia", analisou, referindo-se à imagem de um lançador de foguetes modesto exibido no desfile de 7 de setembro.
Além disso, o Brasil sofre com a falta de acesso à tecnologia militar de ponta devido à ausência de alianças estratégicas. "O Brasil nunca conseguiu comprar um caça nem de penúltima geração. Com essas tensões, está mais distante disso. É provável que a Argentina consiga acesso à tecnologia militar de ponta antes de nós", pontuou Pires.
COP 30: um fracasso diplomático
O isolamento brasileiro ficou evidente, segundo o professor, no esvaziamento da COP 30, realizada em Belém (PA).
A ausência de líderes de potências como China, Estados Unidos, Rússia e Índia, além dos próprios parceiros do Mercosul e do BRICS, foi um sinal claro do fracasso do plano do governo de se posicionar como um grande mediador internacional.
"Esses países não estão interessados e não vão conter suas emissões. A Índia tem uma massa empobrecida, precisa de carvão. A China está queimando todo o carvão que pode. A Rússia não tem interesse nessa pauta e os Estados Unidos, muito menos", explicou Pires. Para ele, a agenda ambiental interessa principalmente à União Europeia, que busca vantagens econômicas.
O professor conclui que o esvaziamento da conferência não se deve a uma questão pessoal com o presidente Lula, mas mostra que o mundo está com outras preocupações. "O plano desse governo de se tornar um grande mediador internacional fracassou. Ele teve acesso a vários palcos, mas não conseguiu fazer com que virasse uma grande vitrine internacional. A agenda ambiental caiu para o fim da página", finalizou.
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