Rádio Bandeirantes Logo
Rádio Bandeirantes

Comando Vermelho comandava justiça paralela no Rio

Relatórios da Polícia Civil mostram execuções, torturas e cadeia de comando do crime organizado em comunidades

Por Redação
REDAÇÃO

04/11/2025 • 10:30 • Atualizado em 04/11/2025 • 10:30

Comando Vermelho amplia territórios no Rio de Janeiro; polícia tenta conter

Comando Vermelho amplia territórios no Rio de Janeiro; polícia tenta conter

Reprodução/ Jornal da Band

A apresentação feita pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe à tona detalhes da megaoperação contra o Comando Vermelho. A iniciativa gerou discussões sobre a atuação do STF em assuntos de segurança estadual, tradicionalmente analisados pela Justiça do Rio.

Compartilhar

Na apresentação, Cláudio Castro detalhou as etapas da operação e os fundamentos que a justificaram, com base em provas colhidas pela Polícia Civil e acatadas pelo Ministério Público. Os documentos revelam a existência de uma "justiça paralela" nas comunidades dominadas pelo Comando Vermelho, com execuções, torturas, julgamentos e sentenças sumárias aplicadas por criminosos.

Segundo a investigação, a facção impõe controle total sobre cerca de 100 mil moradores, sob ameaça constante. Uma das provas incluídas no inquérito é um vídeo em que um homem aparece sendo arrastado, amordaçado e algemado por criminosos, enquanto é alvo de deboche e agressões. O documento da Polícia Civil descreve: "uma cadeia de comando rigidamente estabelecida e cumprida com emissão de ordens, além de punições severas aos descumpridores".

As autoridades também destacaram a ausência de reação da facção após a operação, considerada indício de que o golpe desferido contra o Comando Vermelho foi efetivo. Não houve protestos, queima de ônibus ou bloqueios de vias, comuns em reações de facções a operações de impacto.

A operação também resultou na prisão de diversos criminosos e na apreensão de armamento pesado, como fuzis de uso exclusivo das Forças Armadas. Imagens de drones mostraram policiais camuflados em matas sendo alvejados por tiros, em uma cena que evidencia a gravidade do confronto. "Felizmente, menos policiais morreram do que bandidos", afirmou o apresentador do Jornal Gente, ressaltando que a atuação da polícia foi cirúrgica para minimizar vítimas civis.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) promoveu uma homenagem aos policiais que participaram da ação, considerada uma "defesa da sociedade". Deputados estaduais reconheceram a importância da intervenção em territórios dominados por facções que impõem silêncio e medo à população.

As informações trazidas pela Polícia Civil e apresentadas ao STF reforçam a gravidade da situação em comunidades controladas por organizações criminosas e alimentam o debate sobre o papel das diferentes instâncias de Justiça no combate ao crime organizado.

Tópicos relacionados