
Venezuela
REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
A Venezuela enfrenta um cenário de catástrofe após ser atingida, nesta quarta-feira, pelo terremoto mais severo das últimas décadas. Com epicentro superficial e localizado em área continental, o tremor principal de magnitude 7.2, seguido por um abalo ainda mais forte de 7.5, causou o colapso de ao menos 100 edifícios e deixou um número incerto de vítimas.
O desastre, classificado como o pior no país desde o ano de 1900, ocorre em um momento de extrema fragilidade política e econômica. A dificuldade de comunicação e os danos severos a infraestruturas críticas, como o teto do Aeroporto de Caracas, têm dificultado o trabalho de resgate das equipes de emergência.
Números e buscas sob escombros
Embora o número oficial de mortos ainda não tenha sido consolidado, as projeções são alarmantes. Um site colaborativo criado pela população já contabiliza cerca de 36 mil registros de pessoas desaparecidas. Estimativas de órgãos americanos sugerem que o número total de vítimas — entre mortos e desaparecidos — pode variar de 10 mil a 100 mil pessoas, dado o volume de edifícios colapsados.
Especialistas alertam que réplicas podem continuar por dias ou semanas, aumentando o risco para as estruturas que permaneceram de pé, mas que já se encontram fragilizadas.
Mobilização Internacional
A presidente interina, Delcy Rodríguez, lançou um apelo urgente por ajuda humanitária. A resposta internacional foi imediata: Estados Unidos (com previsão de um fundo inicial de 200 milhões de dólares), Brasil, países europeus e a China já se dispuseram a enviar pessoal e recursos.
O principal desafio para a chegada de ajuda é a interdição de aeroportos e a complexidade logística no terreno, agravada pela instabilidade política que o país enfrenta desde o início do ano.
Impactos no Brasil
Embora o epicentro tenha sido na Venezuela, o tremor foi sentido em diversos estados brasileiros, incluindo Amazonas, Roraima, Amapá e Pará. Sismólogos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP tranquilizaram a população brasileira, afirmando que, embora as ondas do terremoto tenham sido percebidas em prédios altos e casas (especialmente em Manaus e Barcelos), o fenômeno não apresenta potencial destrutivo para o território nacional, perdendo força à medida que se distancia do epicentro.
As próximas horas serão cruciais para a operação de resgate, enquanto o mundo observa a Venezuela em uma corrida contra o tempo para salvar sobreviventes soterrados.
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