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Congresso do Peru afasta presidente Dina Boluarte

Parlamentares declararam a presidente peruana incapaz moralmente para o cargo após acusações de corrupção e repressão violenta

Por Redação
REDAÇÃO

10/10/2025 • 19:39 • Atualizado em 10/10/2025 • 19:39

Dina Boluarte, presidente do Peru.

Dina Boluarte, presidente do Peru.

REUTERS / SEBASTIAN CASTANEDA

O Congresso do Peru aprovou o afastamento da presidente Dina Boluarte, declarando sua "incapacidade moral" para continuar no comando do país. A votação ocorreu de forma rápida e refletiu um movimento crescente de insatisfação popular e política diante das acusações contra a presidente, que incluíam enriquecimento ilícito e responsabilidade pela repressão a protestos populares.

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Boluarte assumiu a presidência após a prisão de Pedro Castillo, de quem era vice. A ex-presidente rompeu com os compromissos políticos que a levaram ao cargo e passou a adotar práticas autoritárias, intensificando a repressão a manifestações, principalmente de comunidades indígenas. Durante seu governo, foram registradas várias denúncias de corrupção e ações violentas contra a população que se manifestava em defesa de Castillo.

Pedro Castillo, que governou com apoio das camadas mais pobres, foi considerado uma exceção na política recente do Peru, marcada por escândalos e instabilidade. Sua prisão, em 2022, gerou uma onda de protestos que resultou em dezenas de mortes, intensificando a crise política no país. Dina Boluarte, ao não apoiar essas manifestações e agir com repressão, perdeu respaldo popular e político.

O atual presidente interino do Peru é José Williams Zapata, presidente do Congresso, que assume o cargo até julho de 2026, quando um novo presidente eleito tomará posse. No entanto, Williams também enfrenta diversas acusações, incluindo corrupção e assédio, o que reforça o cenário de descrença nas instituições políticas peruanas.

A crise atual é mais um episódio em uma longa série de instabilidade no Peru. Nas últimas décadas, o país tem enfrentado sucessivos escândalos de corrupção envolvendo presidentes, congressistas e outras autoridades. Casos como o de Alan García, que se suicidou em 2019 após ser alvo de investigação no escândalo da Odebrecht, ilustram a gravidade da crise institucional.

O Congresso, amplamente identificado pela população como um centro de corrupção, continua a desempenhar papel central na queda e substituição de líderes, alimentando um ciclo vicioso de instabilidade. A deposição de Dina Boluarte aprofunda esse quadro e deixa o futuro político do país ainda mais incerto.