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Contrato do Banco Master gera crise para Lula e Lewandowski

Revelações sobre reuniões com Daniel Vorcaro e pagamentos milionários a escritório do ex-ministro da Justiça provocam reação no Congresso.

Por Redação
REDAÇÃO

28/01/2026 • 08:48 • Atualizado em 28/01/2026 • 08:48

Banco Master

Banco Master

Amanda Perobelli/Reuters

Revelações envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o Banco Master desencadearam uma nova crise política no governo federal. Informações divulgadas nos últimos dias indicam que Lula se reuniu por cerca de uma hora e meia, em dezembro de 2024, com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição que mantém contratos sob investigação no Congresso Nacional.

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Além do encontro com o presidente, veio a público a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski, firmado após a aposentadoria do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 250 mil. Ao todo, o escritório recebeu R$ 6,5 milhões, sendo que R$ 5,25 milhões correspondem a 21 parcelas pagas enquanto Lewandowski exercia o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

O escritório contratado pertence a Lewandowski e aos dois filhos, um homem e uma mulher, que atuam como seus sócios. Segundo a versão apresentada pelo ex-ministro em nota à imprensa, ele teria se afastado formalmente do escritório e suspendido sua licença para advogar ao assumir o ministério. Ainda assim, o vínculo contratual com o Banco Master foi mantido, agora sob a justificativa de prestação de consultoria jurídica pelos demais integrantes do escritório.

Nos bastidores, no entanto, a natureza dessa consultoria é questionada. A avaliação predominante entre críticos do governo é de que o interesse do Banco Master não estaria restrito a pareceres técnicos, mas ao peso institucional e político de Lewandowski, recém-saído do Supremo Tribunal Federal. Há relatos de que o ex-ministro chegou a participar de ao menos duas reuniões do conselho de administração do banco, embora sua nomeação formal para o colegiado não tenha sido efetivada em razão da posse no Ministério da Justiça.

A repercussão do caso levou o Palácio do Planalto a adotar uma estratégia defensiva. Assessores próximos ao presidente passaram a relatar a jornalistas que Lula desconhecia a existência do contrato entre o Banco Master e o escritório de Lewandowski e que a revelação teria sido recebida com surpresa e desconforto. Outras fontes, contudo, afirmam que o tema foi tratado diretamente em conversa entre Lula e Lewandowski no momento em que o ministro pediu demissão do cargo, justamente para reduzir o impacto político da divulgação do contrato.

Na prática, a avaliação no meio político é de que o governo optou por se distanciar do ex-ministro. Lewandowski passou a enfrentar o desgaste público de forma isolada, sem manifestações explícitas de apoio por parte do Planalto ou da cúpula do Partido dos Trabalhadores. O episódio reforçou críticas recorrentes sobre a forma como o governo lida com crises e aliados em situações de constrangimento político.

No Congresso Nacional, a reação foi imediata. Líderes partidários e parlamentares de oposição anunciaram a abertura de investigações para apurar as relações entre o governo e o Banco Master. O relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal manifestou a intenção de incluir o banco nas apurações. Já o relator da CPMI do INSS afirmou que a comissão também irá investigar a atuação do Banco Master na concessão de crédito consignado a beneficiários da Previdência.

O deputado Alfredo Gaspar divulgou um vídeo com críticas diretas ao presidente Lula, questionando o relacionamento do governo com Daniel Vorcaro e acusando o Planalto de tolerar práticas suspeitas. A escalada de críticas ampliou o desgaste político e consolidou o caso como mais um foco de instabilidade para o governo federal.

O episódio expõe não apenas possíveis conflitos éticos, mas também a fragilidade da articulação política diante de denúncias envolvendo figuras centrais do governo. Para analistas, a condução do caso pode ter reflexos duradouros sobre a relação do Planalto com o Congresso e sobre a credibilidade do discurso de combate a irregularidades adotado pelo próprio governo.