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Coronel vira réu por feminicídio e caso revela relação abusiva

Investigação aponta assassinato, fraude processual e histórico de violência doméstica

Por Redação
REDAÇÃO

19/03/2026 • 13:55 • Atualizado em 19/03/2026 • 13:55

PM Gisele

PM Gisele

Reprodução

O caso da morte da soldado Gisele Santana teve novos desdobramentos com a formalização da denúncia contra o tenente-coronel Geraldo Neto, que se tornou réu por feminicídio e fraude processual. Ele está preso no presídio militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, e passou por audiência de custódia, procedimento que avalia a legalidade da prisão.

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A tendência, segundo autoridades, é de manutenção da prisão preventiva, principalmente diante do risco de interferência nas investigações. A alta patente do acusado foi considerada um fator relevante, já que poderia facilitar intimidações ou tentativas de obstrução.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela perícia técnica apontam que Gisele vivia em um relacionamento abusivo, marcado por ameaças, controle financeiro e violência psicológica. Mensagens extraídas do celular do coronel indicam comportamentos de dominação, com exigências de submissão e relatos de agressões.

De acordo com o inquérito, a vítima já manifestava intenção de se separar havia cerca de seis meses, decisão que teria intensificado os conflitos. A descoberta de uma suposta traição também teria agravado a situação. Testemunhas e familiares relataram episódios recorrentes de ameaças e comportamento agressivo por parte do acusado.

A perícia reconstruiu a dinâmica do crime e concluiu que Gisele foi surpreendida e imobilizada antes de ser atingida por um disparo na cabeça. A versão inicial de suicídio foi descartada diante das evidências técnicas e das contradições apresentadas pelo coronel durante a reconstituição.

Outro ponto que chama a atenção é a sequência de ligações feitas após o crime. Antes de acionar a polícia e os serviços de emergência, o acusado entrou em contato com superiores e um desembargador. O primeiro contato efetivo com o socorro ocorreu cerca de 30 minutos depois do disparo, o que levantou suspeitas sobre tentativa de manipulação da cena.

Além disso, a investigação aponta indícios de fraude processual, com a tentativa de alterar elementos no local do crime. O conjunto de provas levou à conclusão de que o caso se trata de feminicídio.

O processo tramita simultaneamente na Justiça Militar e na Justiça Comum. A definição sobre qual instância será responsável pelo julgamento ainda está em aberto. A Justiça Militar argumenta competência em função de possíveis abusos relacionados à hierarquia e ao crime de fraude processual, enquanto o feminicídio deve ser analisado pela Justiça comum.

Especialistas avaliam que essa definição dependerá do avanço das investigações e da delimitação dos fatos. A expectativa é que a decisão sobre a competência ocorra nos próximos dias.

O caso segue em investigação e deve ter novos desdobramentos à medida que o inquérito for concluído e encaminhado à Justiça.