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Correios têm rombo bilionário e pegam empréstimo de R$ 12 bi

Fernando Schüler critica modelo estatal e alerta que empréstimo de 15 anos visa apenas manter operação deficitária

Por Redação
REDAÇÃO

22/12/2025 • 13:42 • Atualizado em 22/12/2025 • 13:42

Correios vivem crise

Correios vivem crise

Divulgação/Correios

A crise financeira dos Correios e o recente empréstimo de R$ 12 bilhões, avalizado pelo Tesouro Nacional após intervenção direta do presidente Lula, foram tema de análise do cientista político Fernando Schüler no Jornal Gente. Segundo ele, a operação revela não só a fragilidade da estatal, mas também o uso político da máquina pública, com impactos que recaem sobre o contribuinte.

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Inicialmente, o Tesouro havia recusado garantir o empréstimo devido aos juros altos. No entanto, após determinação do presidente, o aval foi concedido, com recursos provenientes de bancos públicos e privados, pagamento em 15 anos e carência de três. "É um empréstimo para manter os Correios funcionando por mais um ou dois anos, não para modernizar a empresa", apontou Schüler.

A dívida dos Correios, que supera R$ 14 bilhões em passivos trabalhistas, e os prejuízos operacionais — R$ 2,3 bilhões no ano passado e mais de R$ 6 bilhões nos primeiros nove meses deste ano — evidenciam o desequilíbrio estrutural da empresa. Schüler aponta problemas crônicos, como excesso de cargos políticos, gestão ineficaz e mudança constante de comando a cada ciclo eleitoral.

“Não há plano estratégico, nem perspectiva de reversão do quadro. Esse empréstimo empurra o problema para os próximos governos, que é quem arcará com a conta”, afirma. O especialista critica também a ausência de debate sobre privatização, retirada da mesa por motivações ideológicas. “O Brasil já privatizou áreas mais complexas, como saneamento e energia. A lógica do monopólio postal é insustentável", avalia.

A greve dos funcionários dos Correios, motivada por mudanças no plano de saúde, e o fato de que 67% dos empregados acionaram a Justiça do Trabalho contra a empresa agravam o cenário. “É uma empresa judicializada, politizada e sem planejamento”, resume Schüler.

Além disso, o cientista político comentou a revelação sobre o crescimento patrimonial da esposa do ministro Alexandre de Moraes, que viu seu patrimônio aumentar em 232% em um ano, ultrapassando R$ 79 milhões. O valor seria fruto de contrato milionário com o Banco Master. Para Schüler, o caso expõe a urgência da criação de um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal. “É inaceitável que a mais alta Corte do país ainda não tenha regras claras de compliance”, afirmou.

Mesmo assim, ele acredita que o impacto político da revelação será limitado. “A sociedade já se acostumou. Julga questões éticas conforme suas preferências políticas. E isso enfraquece qualquer cobrança institucional”, conclui.