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Corte de juros expõe dilema entre guerra, inflação e descontrole fiscal

Redução de 0,25 ponto na Selic frustra expectativas e mantém travado o crédito em meio a incertezas globais e gastos públicos elevados

Por Redação
REDAÇÃO

19/03/2026 • 10:50 • Atualizado em 19/03/2026 • 10:50

Juros

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, foi recebida com frustração por analistas e economistas. O movimento, considerado tímido, reforça a percepção de que o Brasil seguirá convivendo com juros elevados por mais tempo.

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Para o economista Paulo Rabello de Castro, o Banco Central adotou uma postura excessivamente cautelosa diante do cenário internacional, especialmente após a escalada da guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e eleva as expectativas de inflação global.

Mesmo com a inflação projetada na casa dos 4%, o país ainda enfrenta juros reais superiores a 10% ao ano — um dos maiores do mundo. Na prática, isso encarece o crédito, dificulta investimentos, reduz o consumo e trava o crescimento econômico.

O cenário interno também pesa. A política fiscal expansionista, com aumento de gastos públicos, limita o espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros. Segundo a avaliação apresentada, há um desequilíbrio: enquanto o setor privado é pressionado por juros altos, o governo mantém níveis elevados de despesas.

Outro ponto de destaque é o impacto da dívida pública. Com juros elevados, o custo de rolagem cresce significativamente, ampliando o peso das despesas financeiras. Estimativas apontam que o Brasil gasta cerca de R$ 1 trilhão por ano apenas com juros da dívida — um valor que não passa pelo mesmo nível de debate orçamentário que outras despesas públicas.

Além disso, o cenário internacional agrava as perspectivas. A alta do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, tende a pressionar combustíveis, fretes e alimentos, afetando diretamente a inflação e reduzindo ainda mais a margem para cortes de juros.

Nesse contexto, o Brasil entra em 2026 com expectativas mais modestas de crescimento. A combinação de juros elevados, incerteza global e fragilidade fiscal desenha um ambiente desafiador para empresas, consumidores e para a própria condução da política econômica.

O pequeno corte promovido pelo Copom, portanto, tem efeito mais simbólico do que prático — e reforça a leitura de que o país ainda está longe de um ciclo consistente de redução do custo do dinheiro.