
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Reprodução
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes contra aposentados do INSS decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o avanço das apurações sobre o Banco Master. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, marcou uma reunião com o ministro Dias Toffoli para tratar do acesso a documentos sigilosos e assegurar o depoimento do presidente do banco, Daniel Vorcaro.
A iniciativa de Viana tem como objetivo principal superar os obstáculos impostos ao trabalho da CPMI. O senador busca o apoio do STF para acessar detalhes de um inquérito sobre 250 mil empréstimos consignados autorizados pelo INSS ao Banco Master, que estão sob suspeita de fraude. O caso levou o próprio INSS a notificar a instituição financeira por três vezes e, diante da falta de respostas, bloquear um repasse de R$ 3 bilhões.
Em declaração, Carlos Viana defendeu a necessidade de aprofundar a investigação. "Não é possível que a gente mantenha esse tipo de situação debaixo do tapete. É obrigação nossa, de todos os deputados e senadores, darmos respostas ao povo brasileiro. Estamos falando em bilhões que foram desviados do sistema financeiro", afirmou o presidente da CPMI.
O depoimento de Daniel Vorcaro, marcado para a próxima quinta-feira, é considerado crucial. "O que eu espero é que ele venha, porque são 250 mil aposentados e pensionistas que tinham descontos todos os meses e que ele não pôde comprovar se essas pessoas autorizaram ou não. Isso é muito grave", completou Viana, que prevê um ano de "muita turbulência" na relação entre governo e Congresso devido aos escândalos em apuração.
O movimento da CPMI ocorre enquanto o processo principal do Banco Master tramita sob sigilo no STF. Nos bastidores, há uma expectativa de que o caso seja "fatiado" e parte dele retorne à primeira instância para aliviar a pressão sobre a Corte. A crise ganhou um novo capítulo com o pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, que estava envolvido em uma negociação de compra do banco e agora admite uma dívida de R$ 4 bilhões.
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