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CPI dos Pancadões: bailes envolvem crime organizado e narcocultura

Vereador Rubinho Nunes (presidente da CPI) denuncia que bailes em São Paulo são usados para lavagem de dinheiro

Da redação
DA REDAÇÃO

05/11/2025 • 12:38 • Atualizado em 05/11/2025 • 12:38

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Rubinho Nunes, detalhou o andamento das investigações e a profundidade do problema que atinge milhões de paulistanos.

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Segundo o parlamentar, os pancadões não são apenas um problema de poluição sonora, mas sim uma rede complexa que envolve crime organizado, lavagem de dinheiro e a promoção da narcocultura na juventude da periferia.

A motivação para a CPI foi impulsionada pela súplica de moradores de bairros como o Jardim Macedônia, que relatam não conseguir dormir ou levar as crianças para a escola devido ao barulho constante dos bailes.

O vereador Rubinho Nunes afirma que a dor desses cidadãos é a de milhões, que se tornam reféns do crime organizado em suas próprias comunidades.

“Nós temos tido um trabalho (na CPI) muito profundo para investigar as raízes do pancadão: a origem quem financia, quem está por trás desses bailes, quem os organiza, quem lucra com isso, o crime organizado que lava dinheiro através desses bailes e também a indústria dos MCs, que constitui aquilo que a gente chama de narcocultura, que glamoriza a criminalidade, a bandidagem ao custo do sono da paz e do sossego dos moradores", declarou o vereador.

Em sua análise, o vereador aponta que o crime organizado se apoderou das comunidades, explorando a juventude e impondo o que chama de "festa clandestina ilegal". Segundo ele, esses eventos, que começam por volta das 23h e se arrastam até as 7h ou 8h da manhã seguinte, criam um ambiente fértil para:

  • Tráfico de drogas;
  • Prostituição infantil;
  • Venda de bebidas falsas (abordadas também na CPI do Metanol).

O vereador criticou a justificativa de que os bailes seriam uma necessidade de lazer, afirmando que há mais de 40 centros de lazer reformados próximos às comunidades. Para ele, o interesse dos marginais é se apoderar da juventude e glamorizar a criminalidade, comparando a situação de São Paulo ao que o Rio de Janeiro viveu há 20 anos com o início dos bailes funk.

Solução: apreensão e prejuízo financeiro

Rubinho Nunes defende que a principal forma de combater os pancadões é a apreensão dos equipamentos de som, que chegam a custar entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Ele citou exemplos de sucesso, como o fim do baile no Jaguaré por 12 meses, quando a subprefeitura da Lapa adotou uma política de tolerância zero, realizando apreensões e demolições de estabelecimentos irregulares que fomentavam os bailes.

Para que a ação seja eficaz, ele cobra um trabalho conjunto entre Polícia Militar, Polícia Civil e subprefeituras, com inteligência e apoio logístico para o desmanche e remoção de estruturas em áreas públicas.

Resultados esperados da CPI

Com a conclusão prevista para fevereiro ou março, a CPI busca a criação de uma política pública e uma legislação que aumente o poder de fiscalização. As propostas incluem:

  • Estender os poderes de fiscalização e autuação da Lei do Silêncio (PSIU) para a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar (via Operação Delegada).
  • Dificultar a emissão de alvará simplificado para bares, adegas e tabacarias em comunidades sujeitas a pancadões.
  • Caçar autorizações de funcionamento e autuar estabelecimentos por furto de energia (gato de energia), crime comum nesses locais.