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Criador do sistema de fraudes do INSS fica em silêncio na CPMI sob proteção do STF

Acusado de integrar fraude bilionária contra aposentados se cala na CPMI após decisão do STF; parlamentares veem tentativa de desmoralizar investigações.

Por Redação
REDAÇÃO

11/11/2025 • 08:46 • Atualizado em 11/11/2025 • 08:46

INSS

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Rafael Carvalho/Governo Federal

O depoimento de um dos principais investigados pela CPMI que apura fraudes contra aposentados do INSS terminou em silêncio. O suspeito, um programador de 28 anos apontado como criador do sistema usado para fraudar dados e autorizar descontos indevidos em nome de entidades falsas, optou por não responder a nenhuma das 90 perguntas preparadas pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

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Amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o acusado foi dispensado até de assinar o compromisso de dizer a verdade, normalmente exigido de testemunhas. “Autorizado, inclusive, a mentir, se quisesse”, destacou o jornalista Cláudio Humberto durante sua análise no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes.

A decisão do STF provocou forte reação entre parlamentares da CPMI, que investigam um suposto esquema bilionário que teria desviado recursos de mais de 9 milhões de aposentados. O jovem seria peça-chave de uma rede de entidades fictícias — sindicatos, confederações e associações — que criavam autorizações falsas para descontos em folha. Estima-se que apenas nove dessas entidades tenham desviado cerca de R$ 1,4 bilhão.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, criticou o que chamou de “silêncio da culpa”, prática adotada por quase todos os convocados até agora. O relator, Alfredo Gaspar, também protestou contra a atuação do STF. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) foi além e afirmou que o Judiciário tenta desmoralizar o Legislativo. Ele cobrou a votação de um projeto que limita o poder de ministros do Supremo, atualmente parado na Câmara dos Deputados, sob responsabilidade do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).

Cláudio também destacou a sofisticação do esquema, que envolvia falsificação de assinaturas e até da biometria de beneficiários. “É uma fraude que permitiu o desconto mensal de mensalidades em nome de aposentados, sem que tivessem qualquer vínculo com essas entidades”, relatou.

Outro ponto levantado foi o uso de advogados de renome e alto custo por parte dos investigados. A CPMI solicitou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) investigue a origem dos recursos usados para bancar essas defesas. Há suspeitas de que o dinheiro também venha das fraudes contra os beneficiários do INSS.

Apesar da blindagem jurídica e política de alguns investigados, a CPMI segue revelando detalhes da atuação de grupos que exploravam aposentados com descontos indevidos. Cláudio concluiu: “Se não fosse a CPMI, ninguém saberia da existência desse rapaz e de tantos outros. A comissão está cumprindo o seu papel.”

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