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Crise dos fertilizantes: estoque baixo de enxofre ameaça a próxima safra

Sindicato alerta para escassez de matéria-prima essencial, colocando em risco o início do plantio e reacendendo o debate sobre a dependência externa do agronegócio nacional.

Da redação
DA REDAÇÃO

26/06/2026 • 14:51 • Atualizado em 26/06/2026 • 14:52

Fertilizantes

Fertilizantes

Reprodução/Agro+

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo desafio logístico e produtivo que pode comprometer a próxima safra: a escassez de enxofre. O insumo, fundamental para a fabricação de fertilizantes fosfatados — a base da adubação de grandes culturas como soja e milho —, atingiu níveis de estoque considerados alarmantes pelo Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).

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O Gargalo da Produção

Embora o Brasil importe cerca de 85% dos fertilizantes prontos que consome, a indústria nacional desempenha um papel estratégico ao processar matérias-primas intermediárias para criar o tradicional NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio). Com a queda acentuada na oferta global e o aumento de 140% no preço do enxofre entre janeiro e maio, o setor teme uma paralisação das fábricas brasileiras.

Contexto global: Países produtores também enfrentam dificuldades. Marrocos, que detém 70% das reservas mundiais de fósforo, reduziu seus estoques em 40%. A China, outro grande player, também impôs restrições de exportação para priorizar o mercado interno.

Logística e preço: A importação de enxofre caiu pela metade em relação ao ano passado, fruto de uma disputa acirrada entre grandes potências agrícolas que buscam garantir seus estoques.

O Dilema da Autossuficiência

O alerta do setor não é novo. O sindicato já havia comunicado o Governo Federal sobre os riscos de desabastecimento em outubro do ano passado. A discussão central gira em torno da vulnerabilidade de um dos maiores exportadores de alimentos do mundo em relação a insumos básicos.

Perspectivas para os produtores

A retomada das obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS) pela Petrobras foi recebida com otimismo, mas especialistas alertam que a medida terá impacto apenas a médio e longo prazo, entre dois a quatro anos. Para o ciclo de plantio que se aproxima — com início previsto para os próximos meses, conforme a chegada das chuvas —, o agricultor brasileiro precisará lidar com a volatilidade dos preços e a incerteza da oferta.

Para os produtores, a recomendação tem sido a antecipação na compra dos insumos, medida adotada pelos mais precavidos. Contudo, a dependência externa permanece como o maior entrave estrutural para a segurança alimentar e o crescimento sustentável da produção nacional.

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