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Crise no STF se agrava após revelações de evento de luxo com autoridades

Encontro patrocinado por banqueiro investigado teria reunido ministros, autoridades e custado mais de R$ 3,3 milhões em degustação de uísque.

Por Redação
REDAÇÃO

11/03/2026 • 09:17 • Atualizado em 11/03/2026 • 09:17

Cláudio Humberto
Alexandre de Moraes, ministro do STF

Alexandre de Moraes, ministro do STF

Agência Brasil

A crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos capítulos após revelações sobre a participação de autoridades do Judiciário em um evento de luxo em Londres patrocinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras.

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O episódio ocorre no momento em que o presidente do STF, o ministro Edson Fachin, tenta reforçar o discurso de ética e transparência no Judiciário. Em reunião com presidentes de tribunais superiores e tribunais estaduais, o magistrado defendeu a necessidade de fortalecer a confiança da sociedade nas instituições e discutiu a criação de um código de conduta para magistrados.

Durante o encontro, Fachin também mencionou a importância de conter os chamados “penduricalhos” salariais — benefícios e adicionais que elevam a remuneração de membros do Judiciário — e afirmou que privilégios funcionais precisam ser avaliados diante das demandas da sociedade por mais transparência e responsabilidade institucional.

Entretanto, as discussões sobre ética no Judiciário coincidiram com novas informações sobre um evento realizado na capital britânica que reuniu ministros de tribunais superiores e outras autoridades brasileiras.

Segundo relatos divulgados, o encontro incluiu uma degustação de uísques raros da marca The Macallan, conhecidos por alcançar valores extremamente elevados no mercado internacional. Algumas garrafas da bebida podem custar até cerca de R$ 100 mil.

A conta total do evento teria chegado a aproximadamente R$ 3,3 milhões. O custo foi pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que atualmente é alvo de investigações relacionadas a crimes financeiros.

Entre os participantes mencionados nas revelações estão os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também teriam participado ministros do Superior Tribunal de Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal.

Além da degustação, participantes do encontro teriam recebido garrafas do uísque como presente. A situação levantou questionamentos porque a Lei Orgânica da Magistratura estabelece restrições ao recebimento de presentes ou benefícios por autoridades do Judiciário.

O evento teria ocorrido dentro de um seminário jurídico realizado no exterior, prática que já foi alvo de críticas em outras ocasiões. Esses encontros costumam reunir magistrados, juristas e autoridades brasileiras em cidades da Europa ou dos Estados Unidos, com patrocínio de empresas ou instituições privadas.

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