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Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro 43% das intenções de voto

Escândalos, inflação e desgaste no STF revertem popularidade do presidente, que agora enfrenta um cenário mais delicado para a eleição de outubro, segundo Datafolha.

Por Redação
REDAÇÃO

09/03/2026 • 10:36 • Atualizado em 09/03/2026 • 10:36

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A menos de sete meses das eleições gerais de outubro, o cenário para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se notavelmente mais complexo. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada neste fim de semana aponta uma situação de empate técnico com seus principais adversários da direita, refletindo uma queda na popularidade presidencial e o acúmulo de crises que agora pesam sobre o governo federal. Fatores como o escândalo do Banco Master, investigações no INSS envolvendo seu filho, a alta do petróleo e a dificuldade de diálogo com o eleitorado evangélico criaram um "caldo" negativo que as políticas de estímulo econômico não conseguiram reverter.

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Os números da pesquisa, que coincidem com os de outros levantamentos como o do Paraná Pesquisas, mostram uma disputa acirrada. Em um cenário de segundo turno, Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro, uma diferença dentro da margem de erro. O padrão se repete contra outros nomes da direita: Lula 45% a 42% contra Tarcísio de Freitas, e 45% a 41% contra Ratinho Júnior. A competitividade é marcada também pela alta rejeição dos principais nomes: 46% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro. O desgaste se reflete na avaliação do governo, que é considerada "ruim ou péssima" por 40% dos entrevistados, superando os 32% que a veem como "ótima ou boa".

O quadro de março de 2026 representa uma virada significativa em relação a meses anteriores. A popularidade de Lula, que havia subido com um discurso nacionalista em resposta a tarifas impostas pelos Estados Unidos, se desidratou. Aquele capital político se esvaiu à medida que novas crises ganharam o noticiário. A principal delas é o escândalo do Banco Master, que atinge em cheio o Palácio do Planalto ao envolver dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vistos como aliados do governo: Alexandre de Moraes, relator de inquéritos cruciais para a oposição, e Dias Toffoli, indicado ao cargo por Lula.

Somam-se a isso as investigações sobre um desvio bilionário no INSS, que trouxeram à tona o nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, que teve seu sigilo bancário quebrado pela CPI para apuração de transações suspeitas. Outro ponto de desgaste contínuo é a relação com o eleitorado evangélico, um segmento fundamental para qualquer vitória eleitoral. A percepção de que o governo apoiou um desfile de escola de samba que ridicularizou figuras religiosas aprofundou ainda mais essa distância, criando um obstáculo de difícil superação.

Enquanto isso, o "pacote de bondades" do governo, como a correção da tabela do Imposto de Renda, não produziu o efeito esperado na popularidade presidencial. O arsenal de medidas positivas parece ter se esgotado sem gerar ganhos políticos. Para complicar o panorama, a alta acentuada no preço do petróleo ameaça gerar uma forte pressão inflacionária, o pior dos cenários para um governo em ano eleitoral.

Do outro lado do espectro político, a ausência de Jair Bolsonaro, que está preso, mudou a dinâmica da disputa. Sem as declarações controversas do ex-presidente, que frequentemente serviam de munição para os adversários, a oposição se reconfigura. Seu filho, Flávio Bolsonaro, consolida-se como um candidato competitivo, porém com um perfil menos polarizador, dificultando a estratégia de campanha do "nós contra eles". Embora Lula continue sendo um candidato altamente competitivo, o cenário atual é inegavelmente mais delicado e incerto para o governo do que era há poucos meses.

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