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Delação de de Vorcaro deve mirar em políticos e poupar STF

Defesa do banqueiro articula acordo com foco no Congresso e tenta reduzir impacto no Supremo

Por Redação
REDAÇÃO

17/03/2026 • 09:06 • Atualizado em 17/03/2026 • 09:06

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Reprodução

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido no escândalo do Banco Master, já estrutura uma possível delação premiada com foco em relações políticas no Congresso Nacional. A estratégia surge após a troca da equipe jurídica do empresário e, segundo pessoas próximas, parte de um esboço de acordo já estaria delineado.

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A intenção inicial é concentrar as informações em agentes políticos e parlamentares, evitando, ao menos neste primeiro momento, implicações diretas sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A cautela decorre do fato de que qualquer acordo de colaboração depende da anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da homologação pelo próprio STF.

O caso ganhou repercussão ao atingir integrantes da Corte. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria após reconhecer a venda de cotas de um resort a um fundo ligado ao Banco Master, episódio que levantou questionamentos sobre possível conflito de interesses. A saída foi interpretada como medida para preservar a imparcialidade do processo.

Outro ponto sensível envolve a menção a uma suposta troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. O magistrado nega que tenha havido qualquer comunicação, e o episódio segue sob análise no contexto das investigações.

Diante desse cenário, a estratégia da defesa busca calibrar o alcance da delação, priorizando informações que envolvam o meio político. A avaliação é de que esse recorte pode facilitar a negociação com as autoridades responsáveis, ao mesmo tempo em que reduz resistências institucionais.

Em paralelo, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, reforçou publicamente a necessidade de separação entre política e Justiça. Durante uma aula a estudantes de Direito no Distrito Federal, o magistrado destacou o papel da Corte como guardiã da Constituição, mas defendeu a autocontenção institucional.

“A autocontenção não é fraqueza, é uma demonstração de força. O Supremo Tribunal Federal é, sim, guardião da Constituição, mas deve se dar ao direito o que é do direito e à política o que é da política”, afirmou.

As tratativas em torno da possível delação ainda estão em fase inicial e dependem de avanços nas negociações com a PGR. Caso seja formalizado, o acordo pode ampliar o alcance das investigações, especialmente no que diz respeito às conexões entre o setor financeiro e o ambiente político em Brasília.

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