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Delegado diz que Bobadilla poderia ser preso em flagrante e foi intimado a depor na sexta

Meio-campista do São Paulo foi acusado de injúria racial pelo lateral Navarro, do Talleres

Da redação
DA REDAÇÃO

28/05/2025 • 18:35 • Atualizado em 28/05/2025 • 18:35

Acusado de injúria racial pelo venezuelano Miguel Navarro, do Talleres, o meia Damián Bobadilla, do São Paulo, foi intimado a prestar depoimento na Drade (Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva) na próxima sexta-feira (30), informou o delegado Rodrigo Corrêa Baptista.

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Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o delegado responsável pelo caso afirmou que Bobadilla poderia ter sido preso em flagrante, caso fosse encontrado pela Polícia Militar ainda na última terça e assumisse o crime – considerado inafiançável e com pena de dois a cinco de reclusão. O meia paraguaio, no entanto, já havia deixado o Morumbi quando a PM fez as buscas no vestiário do Tricolor.

“Os elementos que constam hoje no inquérito apontam num único sentido de imputar essa conduta ao Bobadilla. É a versão da vítima, que é corroborada com a versão de duas testemunhas, jogadores do time argentino, que teriam presenciado a injúria racial. A depender do que ele falar em sua defesa, isso poderia mudar o panorama. O que a gente tem hoje são esses elementos, com as testemunhas confirmando a versão da vítima. Essa [prisão em flagrante] poderia sim ser uma medida adotada no momento, uma eventual prisão em flagrante. Por isso que é importante ouvir o investigado e ver o que ele tem a dizer, se tem algum fato novo”, explicou Rodrigo Corrêa Baptista..

Como Bobadilla não se apresentou à Drade nesta quarta-feira, o delegado revelou que a polícia foi até o CT do São Paulo, não encontrou o atleta (o Tricolor deu folga ao elenco) e, por isso, intimou o paraguaio a prestar depoimento na sexta.

"Diante da não localização do Bobadilla, foi dito informalmente que ele se apresentaria hoje [quarta] na Drade. Não houve nenhum encaminhamento oficial, seja através do investigado, seja através de um advogado ou do próprio clube. Oficialmente nada foi encaminhado para a delegacia nesse sentido. A equipe de investigação esteve no São Paulo e deixou uma intimação para que ele compareça na próxima sexta-feira pessoalmente, na delegacia, para prestar declarações sobre o crime que é imputado contra ele", disse Rodrigo Corrêa Baptista.

Na última terça-feira (27), após o duelo entre São Paulo e Talleres pela Libertadores, no Morumbi, Navarro acusou Bobadilla de xenofobia. Segundo o lateral do Talleres, o paraguaio teria dito "venezuelano morto de fome" após uma discussão em campo.

O meia paraguaio Bobadilla se pronunciou nesta quarta (28) nas redes sociais e admitiu que praticou xenofobia contra o jogador venezuelano Navarro, do Talleres.

Segundo Bobadilla, Navarro o ofendeu primeiramente. “Ele também me tratou com desprezo. Nunca tive a intenção de discriminar ninguém, mas durante aquele momento quente acabei reagindo mal. Queria me desculpar publicamente e pedirei desculpa se encontrá-lo pessoalmente”, disse.

São Paulo teria 'escondido' Bobadilla?

A saída às pressas de Bobadilla do Morumbi também é motivo para investigação da Drade. Segundo Rodrigo Corrêa Baptista, ainda não é possível fazer qualquer tipo de conclusão sobre possíveis acobertamentos da diretoria do São Paulo. O depoimento de Bobadilla deve esclarecer os fatos.

“A gente não pode fazer, neste momento de investigação, uma ilação de controle criminais por parte do corpo diretivo do São Paulo. Precisamos ter um pouco de cautela para entender melhor como isso aconteceu, mas, havendo qualquer participação de terceiros nesta ação, essas pessoas podem ser responsabilizadas. A princípio, o que a gente sabe é: entre o término da partida, os jogadores argentinos irem para o vestiário e a direção do Talleres tomar a atitude de comunicar a PM, esse ‘delay’ foi justamente o tempo em que ele [Bobadilla] conseguiu deixar o local”, explicou o delegado.

“Os policiais foram até o vestiário, não o encontraram. A diretoria do clube [São Paulo] informou que ele já havia deixado o local. Ficou essa incógnita: qual o motivo que levou ele a deixar o local rapidamente? Como ele fez isso? Estava sozinho, acompanhado? Vamos esclarecer tudo isso na investigação”.