A vitória do líder oposicionista Peter Magyar nas eleições deste domingo (12) marcou o fim de uma era de 16 anos do primeiro-ministro Viktor Orbán na Hungria. A apuração confirmou uma ampla vantagem do partido TISZA (Respeito e Liberdade), que conquistou mais de dois terços das cadeiras na Assembleia Nacional. No entanto, a mudança de liderança não significa uma ruptura com a política de ultradireita no país, mas sim uma reorientação estratégica em relação à União Europeia, conforme aponta análise feita no Bandeirantes Acontece, da Rádio Bandeirantes.
Peter Magyar, o novo nome no poder, não é um estranho à ideologia de seu antecessor. Até dois anos atrás, ele era membro do Fidesz, o partido de Orbán, e sua esposa ocupou o cargo de Ministra da Justiça no governo anterior. Magyar fundou sua nova sigla como uma dissidência, mas compartilha dos mesmos valores conservadores e da mesma postura xenófoba em relação à imigração que caracterizaram a gestão de Orbán.
Alinhamento com a União Europeia
A principal diferença entre os dois líderes reside na sua abordagem com Bruxelas. Viktor Orbán era visto como um grande obstáculo para os planos da União Europeia, principalmente por bloquear um pacote de ajuda de 90 bilhões de euros destinado à guerra na Ucrânia. Sua postura de aproximação com a Rússia e a defesa pela retomada da compra de energia russa, sob o argumento de que o boicote empobrecia a Europa, gerou atritos que levaram ao congelamento de fundos para a Hungria.
Na visão do analista do Bandeirantes Acontece, a União Europeia utilizou a justificativa de falhas em políticas de direitos humanos para pressionar Orbán, embora problemas similares ocorram em outros países do bloco. "O Orbán defendia a aproximação com a Rússia, a renegociação com a Rússia, a volta da compra de energia russa, gás e petróleo, alegando que a Europa está se empobrecendo", avalia.
Em contrapartida, Peter Magyar sinaliza uma mudança drástica nesse cenário. Ele se apresenta como um "parceiro confiável" da União Europeia, indicando que seu governo aprovará as pautas do bloco sem resistência. Para o comentarista, isso significa que Magyar, embora reacionário como seu antecessor, se tornará um "pequeno vassalo dessa política corrupta e criminosa da União Europeia".
Segundo a análise, a celebração da derrota de Orbán esconde o fato de que a mesma ideologia permanecerá no poder, mas agora alinhada aos interesses financeiros que lucram com o conflito na Ucrânia. A avaliação é que a UE incentiva a continuidade da guerra, pois os recursos enviados a Zelensky são usados para comprar armamentos de grandes fabricantes dos Estados Unidos, em uma conta paga pelos contribuintes europeus.
Dessa forma, a troca de poder na Hungria representa menos uma vitória da democracia liberal e mais uma reacomodação de forças. "Saiu Orbán, o reacionário, mas que provocava problemas para esse esquema criminoso da União Europeia, e entrou Magyar, o reacionário, que vai participar desse esquema", conclui o analista do Bandeirantes Acontece.
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