
AGU sabia de fraudes no INSS
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Documentos inéditos revelam que a Advocacia-Geral da União (AGU) tinha conhecimento de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas do INSS, mas levou um ano para tomar providências.
Segundo os documentos obtidos pela CPMI, em março do ano passado, uma análise de rotina da Corregedoria identificou aumento significativo no volume de trabalho relacionado a ações de fraude em empréstimos consignados e descontos associativos. As unidades regionais da AGU responsáveis pelo sul do país encaminharam alertas ao órgão sobre a gravidade e a frequência crescente desses casos.
Em julho de 2024, essas unidades recomendaram a suspensão de convênios mantidos por entidades junto ao INSS, como forma de conter as irregularidades. Em outubro, o relatório com essa sugestão foi aprovado internamente. Apesar disso, nada mudou na prática e os convênios permaneceram em funcionamento, mesmo diante das advertências formais.
A resposta concreta só veio um ano após as primeiras denúncias, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Sem Desconto, que teve como alvo as fraudes identificadas nos sistemas de consignados. Após a ofensiva da PF, a AGU instituiu um grupo especial para enfrentar o problema. O órgão nomeou Rodrigo Bezerra Donsley para comandar o grupo.
De acordo com parlamentares da CPMI, Donsley era considerado o braço direito de Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, preso na semana anterior. Segundo a Polícia Federal, Virgílio não conseguiu explicar a evolução patrimonial de 18 milhões de reais acumulados em apenas dois anos, o que motivou sua prisão.
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