
Membros do clero participam do funeral do Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano
Dylan Martinez/Reuters
Começa no dia 7 de maio o conclave que elegerá o novo papa. De acordo com o filósofo Mário Sérgio Cortella, se o pleito de 2013 foi marcado pela escolha surpreendente de Francisco como pontífice, a tendência é que o atual seja mais previsível e esteja focado nos candidatos vistos como favoritos.
“O Papa Francisco não contava como um dos favoritos em 2013. Hoje tem vários nomes. Há uma tendência quando se olha o cenário geral, mas não há possibilidade de se fazer uma identificação imediata, exceto que surpresas em sequência talvez sejam menos aguardadas. É difícil que se tenha uma outra surpresa, mas não é uma impossibilidade”, ressaltou o professor em entrevista à Rádio Bandeirantes.
Cortella também enfatizou que a eleição do papa, apesar de altamente relevante, não é a escolha do “novo governante do mundo” e que Francisco foi ao mesmo tempo conservador e progressista.
“A sensação que se tem é que a grande disputa é entre dois modos de se ser no mundo, e não há só dois. Não necessariamente o papa que estava era só progressista, e não necessariamente quem vier será absolutamente conservador. As cores não são tão nítidas. Uma coisa é o nosso desejo, outra coisa é o modo como a realidade se coloca”, ressaltou.
O filósofo também acredita que este Conclave pode ser um pouco mais demorado: “Acho que a tendência é que esse Conclave não seja tão veloz quanto os que elegeram Francisco e Bento XVI. Mas depende muito do quanto se conversou antes, é muito difícil que se faça a conversa ali só na hora”.
Como funciona o conclave?
Ao todo, 133 cardeais participarão da votação secreta. Três deles vão coletar os votos, outros três farão a contagem e outro trio fará a revisão do resultado.
Cada cardeal escreverá o nome do seu candidato em um pedaço de papel, e o depositará em uma urna no altar. Para ser eleito, o candidato a papa precisará de, ao menos, dois terços dos votos. Se ninguém alcançar a maioria, o processo é refeito.
Por dia, serão realizados até quatro turnos, dois de manhã e dois à tarde. Ao final de cada votação, as cédulas serão queimadas. A fumaça preta significa que não houve definição; e a fumaça branca é o anúncio de que um novo papa foi escolhido.
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