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Emanuel Pessoa: "Brasil normalizou a violência e afasta investimentos"

Advogado critica leniência estatal, falta de segurança e sistema político que favorece o crime organizado

Por Redação
REDAÇÃO

04/11/2025 • 10:39 • Atualizado em 04/11/2025 • 10:39

Assaltos

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Reprodução/ Minuto Seguros

O advogado Emanuel Pessoa, especialista em direito empresarial, criticou duramente o ambiente de insegurança pública e impunidade no Brasil durante participação no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes. Para ele, a violência cotidiana, aliada à estrutura política e judiciária que protege criminosos de colarinho branco, afasta investimentos e compromete o desenvolvimento econômico do país.

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Pessoa usou como exemplo o México, dominado por cartéis, mas com juros mais baixos e menos homicídios proporcionais do que o Brasil. Segundo ele, o Brasil lidera rankings de criminalidade, mesmo em cidades com potencial turístico e econômico, como Fortaleza, sua cidade natal. "Temos uma sociedade anestesiada. Morre gente todos os dias por conta de um celular, e tratamos como rotina", afirmou.

Durante o programa, o caso do assassinato da jovem Beatriz Munhoz, de 20 anos, em São Paulo, ao tentar vender um drone, foi usado como exemplo do grau de brutalidade que atinge o cidadão comum. Para Pessoa, a situação reflete um estado que não protege e um sistema que beneficia quem tem acesso a bons advogados, enquanto pobres ficam presos preventivamente por anos.

O advogado também criticou a estrutura política do país. Segundo ele, deputados e senadores evitam reformas fundamentais porque são beneficiários do sistema atual. "Eles não querem mudar porque o sistema que está aí é o que os elege e os protege."

Pessoa defendeu a classificação das organizações criminosas como terroristas, o que dificultaria suas operações financeiras e ampliaria os instrumentos de combate à criminalidade. "Se classificar como terrorismo, bloqueia-se acesso a sistema bancário, a transferências internacionais, a compra de armas. Isso não é feito por covardia institucional."

Ao debater a atuação do crime organizado no Congresso, Pessoa esclareceu que não se trata de um lobby direto, mas indireto, através de empresas de fachada, do financiamento de instituições e do enfraquecimento deliberado das regras de combate à lavagem de dinheiro. "Eles faturam nove vezes mais com atividades lícitas do que com o tráfico."

O advogado ainda defendeu o voto distrital como forma de aproximar eleitores e parlamentares, responsabilizando politicamente os representantes por questões locais, como a segurança. "Do jeito que é hoje, não há cobrança efetiva. O deputado eleito em São Paulo não tem conexão com a comunidade."

Pessoa encerrou com um apelo direto ao presidente da República para que proponha uma mudança legal que permita classificar facções como terroristas: "Use o seu capital político. Se não for por convicção, que seja por cálculo eleitoral."

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