
Ministro Dias Toffoli
© Rosinei Coutinho/STF
Em sua análise no Jornal Gente, o jornalista Pedro Campos cobrou enfaticamente o afastamento do ministro Dias Toffoli das investigações sobre o Banco Master, argumentando que a permanência dele no comando do caso é "muito grave". Para Campos, "não pode virar rotina no Supremo Tribunal Federal um ministro que tem uma ligação íntima com um caso, pelo menos uma suspeita de ligação até o momento, seguir no comando das investigações".
Pedro Campos traçou um paralelo com a atuação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento dos atos de 8 de janeiro. Ele lembrou que Moraes, sendo considerado vítima no processo por um suposto plano para matá-lo, "conduziu as investigações, participou do julgamento". Campos questiona a imparcialidade de tal situação, afirmando que um julgamento não pode envolver quem tem interesse direto no caso, pois isso "levanta todas essas dúvidas".
Histórico de Toffoli e o problema das decisões monocráticas
O jornalista relembrou o que chamou de "carreira recheada de dúvidas" do ministro Toffoli, mencionando sua atuação pregressa como advogado do PT e de Lula, sua indicação política ao STF após ser reprovado em concurso para a magistratura e, mais recentemente, a anulação completa da Operação Lava Jato "numa canetada só".
Essa crítica levou a um ponto mais amplo sobre o funcionamento do STF: o excesso de decisões individuais (monocráticas). Campos apresentou o dado de que, entre 2010 e 2025, 85% das decisões do Supremo foram monocráticas, tomadas "pela cabeça de um magistrado num tribunal que deveria preferir o colegiado".
Suspeitas, cobranças e o papel das instituições
Para o jornalista, a solução para a crise de confiança seria os próprios pares de Toffoli o pressionarem para "cair fora" da investigação. Ele também mencionou outras situações que geram suspeita, como o contrato de R$ 129 milhões da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o mesmo Banco Master.
Campos defendeu que, se o Supremo não agir para restaurar a credibilidade, o caminho previsto na Constituição é o processo de impeachment, a ser conduzido pelo Senado. No entanto, ele pondera que "os senadores não fazem e nós sabemos por quê. Porque eles estão nas mãos dos ministros do Supremo, com investigações que também envolvem a política".
Ao final de sua análise, Pedro Campos fez uma dura crítica ao Ministério Público Federal (MPF), questionando por que o Procurador-Geral da República "não está assistindo o que todos nós estamos vendo". Ele acusa o MPF de arquivar os pedidos relacionados ao caso e de ter se transformado em uma "grande ONG", que "trata de assunto de ONG e os assuntos importantes estão esquecidos".
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