
Escala 6x1
Reprodução/Agência Brasil
A possível extinção da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho devem voltar ao centro do debate após o Carnaval. Especialistas alertam para impactos econômicos relevantes caso a proposta avance no Congresso Nacional. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo aponta que a medida pode provocar impacto mínimo de 6% no Produto Interno Bruto (PIB).
Pela regra atual, trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) cumprem jornada de 44 horas semanais. A mudança para 36 horas implicaria redução de quatro horas semanais por empregado. Na prática, segundo análise econômica, isso representaria aumento imediato de custo para o empregador, que teria de manter o salário integral com menor carga horária ou contratar novos funcionários para compensar as horas reduzidas.
O cálculo apresentado por especialistas indica que a alteração poderia elevar a folha de pagamento entre 10% e 20%, considerando pagamento de horas extras ou novas contratações. Setores com operação contínua, como comércio, serviços e indústria, seriam os mais impactados.
Economistas lembram que experiências anteriores mostram que ampliação de direitos trabalhistas sem contrapartida de produtividade pode gerar efeitos colaterais. Um exemplo citado é a PEC das Domésticas, aprovada em 2013, que ampliou direitos da categoria, mas enfrentou dificuldades de implementação e aumento da informalidade em parte do setor.
Outro ponto central do debate é a produtividade brasileira. Dados recentes indicam crescimento médio anual próximo de 0,2% nas últimas décadas, patamar considerado insuficiente para sustentar aumento estrutural de custos trabalhistas. Sem avanço em qualificação profissional, inovação tecnológica e competitividade, a redução da jornada pode pressionar margens das empresas e reduzir investimentos.
Especialistas também apontam entraves estruturais, como sistema tributário complexo, baixa inserção internacional da economia e reduzido investimento em pesquisa e desenvolvimento. Países que ampliaram competitividade ao longo dos anos combinaram ganhos de produtividade com investimento em tecnologia e abertura comercial.
No cenário internacional, Índia e China são exemplos de economias que apostam em planejamento estratégico e inovação para sustentar crescimento. O Brasil, segundo analistas, precisa enfrentar gargalos estruturais antes de promover mudanças profundas na legislação trabalhista.
O debate sobre a escala 6x1 deve ganhar intensidade nas próximas semanas, em meio ao calendário político e às discussões sobre impacto fiscal e econômico da medida.
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