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Esvaziada, COP 30 é criticada por 'hipocrisia' e por ignorar a pobreza

Para a especialista Samanta Pineda, evento em Belém repete modelo falido e se distancia dos problemas reais da população, como falta de saneamento básico

Por Redação
REDAÇÃO

08/11/2025 • 14:42 • Atualizado em 08/11/2025 • 14:42

COP 30 em Belém, no Pará

COP 30 em Belém, no Pará

Túlio Amâncio/Band

A COP 30, conferência climática da ONU realizada em Belém (PA), iniciou em meio a um forte contraste: de um lado, um discurso oficial sobre a salvação do planeta; de outro, a ausência de líderes das maiores potências mundiais e uma realidade de pobreza e falta de infraestrutura na própria cidade-sede. Durante o Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, especialistas e jornalistas analisaram o que chamaram de "esvaziamento" e "hipocrisia" do evento.

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O repórter Pedro Campos, enviado especial a Belém, e a advogada especialista em direito ambiental, Samanta Pineda, apontaram a desconexão entre as discussões climáticas e as necessidades básicas da população amazônica. Para eles, o evento se tornou uma vitrine de contradições, onde a romantização da floresta ignora a carência de saneamento, energia e oportunidades para quem vive na região.

O jornalista Claudio Humberto classificou o baixo comparecimento de líderes como um "constrangimento" e um "fracasso diplomático" para o governo brasileiro. "A Rio-92 atraiu 108 chefes de estado e de governo. O que a gente viu aqui foram apenas 17", comparou. "A impressão que me deu é que essa COP, se não foi a última, está meio que condenada ao seu fim".

"Esse modelo de COP precisa ser o último"

Convidada do Jornal Gente, a advogada Samanta Pineda, que acompanha as conferências há mais de 20 anos, foi enfática ao afirmar que o formato atual do evento se esgotou. "Eu não sei se é a última COP, mas, nesse modelo, ela precisa ser a última", declarou.

Segundo Pineda, as principais nações emissoras de gases de efeito estufa não estão comprometidas. "Os Estados Unidos, segundo maior emissor, não mandaram representante. A China, primeira emissora, condicionou sua meta de descarbonização ao crescimento do PIB. A Rússia não veio porque alega estar em guerra. Ficou Brasil e Europa sozinhos discutindo isso aqui", analisou.

A especialista criticou o que chamou de "excesso de proteção ambiental sem olhar para as pessoas". Para ela, essa abordagem gera um ciclo de pobreza e compromete o futuro. "Se nós não cuidarmos das pessoas, não teremos futuras gerações. Mostrar que essa santificação e romantização da Amazônia está levando meninas de 10 anos à prostituição, porque não têm alternativa, é fundamental", afirmou Pineda.

Ela citou uma recente publicação do cofundador da Microsoft, Bill Gates, que defendeu a prioridade do combate à pobreza na agenda ambiental, como um sinal de que a percepção global está mudando. "Esse comentário de Bill Gates deu um curto-circuito aqui no povo da COP", relatou o repórter Pedro Campos.

A oportunidade do Brasil

Apesar das críticas, Samanta Pineda acredita que o Brasil pode usar o evento para reverter uma imagem negativa e apresentar soluções. A chave, segundo ela, está na "Agri Zone", um espaço inédito na COP, organizado pela Embrapa, para mostrar a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

"Nós temos a chance de mostrar que podemos produzir alimento, fibra e energia de uma forma limpa e segura, oferecendo essa solução climática para o mundo", defendeu. Para a advogada, o país pode exportar suas tecnologias de produção limpa e propor um modelo de desenvolvimento que una preservação e prosperidade.

Outro ponto cego da conferência, segundo a especialista, é o avanço do crime organizado, que se beneficia das proibições impostas à população local. "O desmatamento ilegal do Brasil é feito pelo crime organizado para contrabandear madeira nobre, animal silvestre e minério. Quando se proíbe a atividade de pessoas de bem, a gente está deixando um campo aberto para os criminosos", alertou.

Choque de realidade

Direto de Belém, Pedro Campos descreveu um cenário de "canteiro de obras", com estruturas sendo finalizadas em cima da hora para a abertura oficial. Ele também destacou os preços exorbitantes dentro do evento — como uma garrafa de água a R$ 25 e uma coxinha a R$ 30 —, que contrastam com a realidade econômica da cidade.

Para o repórter, a escolha de Belém como sede, apesar dos desafios de infraestrutura, serviu para dar um "choque de realidade" nas autoridades presentes. "Foi bom que tenha sido aqui para essas autoridades conhecerem quem vai ficar depois que a COP for embora. Essa população tem demandas que, muitas vezes, não são atendidas por falta de uma licença do Ibama ou por entraves que impedem o desenvolvimento da região", concluiu.

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