
Maduro, presidente da Venezuela
RS fotos públicas
A semana começa com um cenário geopolítico mais tenso nas Américas após o anúncio dos Estados Unidos de que vão classificar o Cartel de Los Soles como organização terrorista estrangeira. A decisão, divulgada pelo secretário de Estado Marco Rubio, inclui a acusação de que o líder da estrutura criminosa seria o próprio presidente venezuelano Nicolás Maduro. Washington sustenta que integrantes do alto escalão do governo da Venezuela comandariam, há anos, uma rede dedicada ao envio de drogas para os Estados Unidos.
O enquadramento aproxima o grupo de organizações já tratadas como terroristas pelos EUA, como a Al-Qaeda, envolvida nos atentados de 11 de setembro. A designação amplia o alcance de medidas legais, militares e diplomáticas disponíveis ao governo americano. Maduro nega todas as acusações e afirma que os Estados Unidos estariam fabricando uma guerra contra a Venezuela.
O anúncio ocorre em meio a um movimento mais amplo do governo Donald Trump, que vem intensificando a pressão sobre Caracas. A demonstração mais evidente está no Caribe, que recebeu o USS Gerald Ford, considerado o maior e mais moderno porta-aviões do mundo. A embarcação chega acompanhada de cruzadores, destroyers, aviões de reconhecimento e submarinos, compondo o maior agrupamento militar dos Estados Unidos na região em mais de três décadas.
Segundo o Comando Sul, a missão tem objetivo de dissuasão diante de ameaças na área. Na prática, a presença militar coloca a Venezuela sob vigilância direta, integrada às operações aéreas já realizadas pelos EUA. Apenas nos últimos dias, forças americanas atacaram embarcações suspeitas de tráfico, resultando na morte de ao menos 83 pessoas.
A ofensiva militar se soma a um dos elementos de maior pressão: a recompensa de até 50 milhões de dólares por informações que levem à prisão de Nicolás Maduro. O valor representa o prêmio mais alto já oferecido pelo Departamento de Estado contra um chefe de governo em exercício.
Apesar da escalada, Donald Trump afirmou no fim de semana que não descarta conversar com Maduro. Segundo ele, a Venezuela teria demonstrado interesse em dialogar, e o governo americano estaria disposto a discutir alternativas. A sinalização, no entanto, não reduz o nível de alerta na região.
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