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EUA e Irã negociam paz: veja quais são os 10 pontos exigidos por Teerã

Após 40 dias de conflito e uma ameaça de ataque iminente, os Estados Unidos e o Irã concordam com uma trégua mediada pelo Paquistão, mas a situação no Líbano ainda é crítica.

Por Redação
REDAÇÃO

08/04/2026 • 14:23 • Atualizado em 08/04/2026 • 14:23

Trump

Trump

Reprodução: EFE/EPA/Yuri Gripas

No 40º dia de um conflito que colocou o mundo em alerta, os Estados Unidos e o Irã alcançaram um acordo de cessar-fogo de duas semanas, evitando uma escalada militar de consequências imprevisíveis. A trégua foi anunciada horas antes do prazo final estabelecido por Washington para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz, sob a ameaça de um ataque devastador a sua infraestrutura.

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A tensão atingiu o auge com a contagem regressiva para o ultimato americano. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a declarar que "uma civilização vai morrer hoje à noite", assustando a comunidade internacional e posicionando bombardeiros e caças em direção ao território iraniano. No entanto, a menos de duas horas do fim do prazo, a Casa Branca comunicou que um acordo havia sido costurado.

Sob os termos da trégua, o Irã concordou em reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, mas com a condição de que o controle da passagem marítima seja mantido pela sua Guarda Revolucionária. Este é um passo frágil, mas significativo, que abre uma janela para negociações de paz.

A mediação está sendo conduzida pelo Paquistão, que mantém boas relações com ambos os lados. Uma reunião de alto nível está marcada para a próxima sexta-feira, dia 10, em Islamabad. A delegação americana será chefiada pelo vice-presidente, J.D. Vance, um gesto considerado uma vitória diplomática para o regime iraniano. Pelo lado do Irã, a delegação será liderada pelo presidente do parlamento, Mohamed Ghalibaf, ou pelo chanceler do país.

As exigências iranianas buscam, em primeiro lugar, o reconhecimento de sua soberania e capacidade nuclear, demandando a permanência de seu controle sobre o Estreito de Ormuz e a aceitação de seu programa de enriquecimento de urânio.

Em seguida, o pacote de condições visa o desmantelamento completo do aparato de isolamento internacional, exigindo a suspensão de todas as sanções primárias e secundárias, além da revogação de todas as resoluções passadas contra o país, tanto no Conselho de Segurança da ONU quanto no Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Por fim, o Irã busca reparações e uma nova postura militar na região. O país exige o pagamento de uma indenização de guerra, a retirada das forças de combate dos EUA da região, um pacto de não agressão e a cessação imediata da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

Embora o presidente Trump tenha classificado os pontos como "aceitáveis" para o início das conversas, é improvável que Washington aceite todas as condições. Espera-se que os EUA tentem limitar o enriquecimento de urânio a 20% — nível distante do necessário para armas nucleares — e se recusem a abandonar suas forças e aliados na região do Golfo.

Apesar do alívio momentâneo, a situação no Líbano permanece crítica. Israel declarou que aceita o cessar-fogo com o Irã, mas que Beirute não está incluída no acordo. Na manhã de hoje, o sul do Líbano foi intensamente bombardeado, elevando o temor de que a região se transforme em uma nova "Faixa de Gaza", com um saldo que já ultrapassa 1.500 mortos e um milhão de deslocados.

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