
Trump Lula
Ricardo Stuckert/PR e Reuters
A decisão da Casa Branca de revogar as tarifas de importação de mais de 60 itens brasileiros foi recebida com alívio, mas também com ressalvas no Brasil. A medida, anunciada ontem, isenta produtos importantes como carne, café, cacau, açaí e frutas (incluindo a manga).
O anúncio teve efeito imediato no mercado global, com os preços futuros do café despencando 5% nesta sexta-feira.
Produtos Excluídos e Prejuízos
Apesar da vitória para o agronegócio, a nova lista de isenções não incluiu setores significativamente prejudicados pelo tarifário imposto em agosto:
Pescados (como a tilápia), Mel e Madeira.
O setor de pescados, por exemplo, já acumula uma perda de cerca de US$ 250 milhões em queda nas exportações. O setor de madeira foi o que mais registrou demissões no Brasil, e ambos expressaram frustração por não terem sido incluídos na isenção.
Motivação dos EUA e Pressão Brasileira
O Itamaraty alega que só irá "descansar" quando a alíquota de todos os demais produtos for zerada.
O repórter André Ruiz, do AgroMais, explica que a decisão do Presidente Donald Trump tem um peso majoritariamente econômico:
Combate à Inflação: Os EUA priorizaram a isenção de produtos que mais pesaram na inflação americana. O café, por exemplo, tinha atingido a maior alta em 14 anos nos Estados Unidos.
Baixo Impacto: Produtos excluídos, como os pescados brasileiros, representam uma porcentagem muito pequena do total importado pelos EUA (a maioria vem da Ásia), tornando a isenção "indiferente" para eles, mas de grande peso para o lado brasileiro.
Indústria Manufaturada: A lista isentou apenas matérias-primas, não incluindo produtos manufaturados (como café solúvel, móveis e calçados). Isso desagradou a indústria nacional, indicando que a opção americana pode ser importar a commodity e processá-la lá.
O Que Falta Negociar
As associações da pesca e do mel mantêm o otimismo, esperando uma nova lista de isenções em breve.
Tarifação Restante: O tarifário, que inicialmente abrangia 60% de tudo que o Brasil exportava aos EUA, agora está em 36%. A Câmara de Comércio Brasil-EUA aponta que ainda há 36% dos produtos na lista de tarifação.
Manga: A preocupação com a manga do Nordeste, um produto altamente perecível, foi resolvida. A fruta, assim como o café e a carne, não terá mais a tarifa.
O Governo Federal e as autoridades envolvidas seguem os esforços para incluir os itens restantes, em prol da balança comercial e da manutenção dos empregos no Brasil.
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