
Crise do Banco Master expõe falhas de supervisão bancária
© Rovena Rosa/Agência Brasil
O ex-presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, afirmou que a crise envolvendo o Banco Master evidencia falhas graves no sistema de supervisão bancária do país. Para o colunista da Rádio Bandeirantes, o Banco Central deveria ter adotado medidas de intervenção antes da operação deflagrada nesta semana, evitando riscos maiores ao sistema financeiro e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo Rabello, a supervisão das instituições financeiras ainda é insuficiente para garantir segurança e estabilidade. Ele destacou que o FGC, embora seja um instrumento importante de proteção aos correntistas, não deve ser acionado como solução para desequilíbrios que poderiam ter sido prevenidos. “Precisamos melhorar muito a condição de supervisão. O FGC é uma iniciativa positiva, porém é como uma boia numa embarcação. Ela está lá para não ser usada”, afirmou.
O economista alertou que, diante da situação do Banco Master, o FGC deve ser acionado em larga escala, o que representa um risco ao próprio patrimônio do fundo. Ele citou estimativas que apontam para gastos que podem chegar a R$ 40 bilhões, valor equivalente a um quarto ou até um terço dos recursos totais do FGC. Para Rabello, o impacto demonstra que o sistema bancário falhou em seu dever de proteção e deixou o fundo exposto a um desgaste significativo.
Rabello enfatizou que o desgaste do fundo é sinal de que os próprios bancos, responsáveis por sua manutenção, não se protegeram adequadamente. “O sistema bancário não fez o dever de casa. Não se protegeu e não protegeu o FGC de ser depenado, como será”, concluiu.
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