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Caio Cordeiro de Resende fala como Fair Play Financeiro punirá endividados

Nesta entrevista exclusiva, Caio Cordeiro de Resende detalha as punições (incluindo transfer ban para dívidas nacionais), o limite de 70% da receita para gastos com elenco e como evitar que gigantes do nosso futebol cheguem à falência.

Por Redação
REDAÇÃO

22/03/2026 • 12:55 • Atualizado em 22/03/2026 • 12:55

O futebol brasileiro deu um passo decisivo rumo à profissionalização total. Desde 1º de janeiro de 2026, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, órgão independente criado pela CBF, iniciou a fiscalização rigorosa das contas dos clubes das Séries A e B. Em entrevista exclusiva, o presidente da agência, Caio Cordeiro de Resende, detalhou as regras que prometem mudar o jogo fora das quatro linhas.

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🏛️ O que é a Agência de Regulação?

Fundada em novembro de 2025, a agência tem como missão monitorar, fiscalizar e julgar o cumprimento do Regulamento de Rentabilidade Financeira.

"O Brasil era a única entre as seis maiores ligas do mundo que não possuía regras de sustentabilidade financeira. Estamos trazendo o que há de mais moderno na Uefa e na La Liga para a nossa realidade", afirma Rezende.

📑 Os três pilares do regulamento em 2026

O novo sistema regulatório baseia-se em indicadores claros para garantir que os clubes sejam sustentáveis a curto, médio e longo prazo:

1. Regra de dívidas em atraso (transfer ban nacional)

Até então, o famoso transfer ban (proibição de registrar novos jogadores) era aplicado quase exclusivamente pela Fifa em dívidas internacionais. Agora, a regra vale para o mercado doméstico.

Fiscalização: Três vezes ao ano (a primeira janela fecha em 31 de março), os clubes devem declarar todos os pagamentos em atraso com outros clubes, atletas e poder público.

Denúncias: Atletas e clubes podem denunciar inadimplências diretamente à agência.

2. Teto de gastos com o elenco (regra dos 70%)

Nenhum clube poderá gastar mais de 70% de sua receita bruta com o departamento de futebol profissional (salários, encargos e custos de contratação).

Exemplo: Se um clube fatura R$ 100 milhões, o limite para o elenco é de R$ 70 milhões.

3. Equilíbrio de gastos

A regra fundamental: o clube não pode gastar mais do que arrecada. O balanço financeiro deve ser entregue anualmente até o dia 30 de abril.

📉 O alerta: Receitas altas X Dívidas crescentes

Rezende destaca um fenômeno preocupante no Brasil: embora as receitas tenham crescido cerca de 40% nos últimos dois anos (impulsionadas por patrocínios de bets e antecipações de ligas), o endividamento subiu 80%.

Custo da dívida: Hoje, clubes da Série A gastam, em média, 12% de seu faturamento apenas com juros de empréstimos, comparado a 5% há três anos.

Risco de falência: O regulamento visa evitar casos como os da Fiorentina e Parma na Itália, ou do Leeds United na Inglaterra, que sofreram colapsos financeiros e rebaixamentos administrativos.

Contra manobras contábeis

A agência está atenta às tentativas de "driblar" as regras, como os contratos ultra-longos para diluir custos (prática comum no Chelsea recentemente).

Amortização Limitada: A despesa de contratação de um atleta deve ser dividida pelo tempo de contrato, com um prazo máximo regulamentado para evitar distorções.

Registro no BID: Desde janeiro, o registro de qualquer jogador no BID (Boletim Informativo Diário) está condicionado ao envio prévio de todas as informações financeiras da transação para a agência.

Integração com a Conmebol

O movimento brasileiro já reverbera na América do Sul. O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, sinalizou que a entidade acompanhará de perto a implementação no Brasil, possivelmente criando um sistema continental similar em breve.

*Texto gerado por IA e revisado pela equipe band.com.br