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Faixa azul reduz gravidade de acidentes e pode ser ampliada em SP

Presidente da CET apresenta dados à Senatran e destaca eficácia do projeto na redução da gravidade dos acidentes com motos.

Da redação
DA REDAÇÃO

29/04/2026 • 11:41 • Atualizado em 29/04/2026 • 11:41

Faixa Azul

Faixa Azul

Rovena Rosa/Agência Brasil

O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Milton Roberto Persoli, afirmou que a faixa azul tem apresentado resultados positivos na redução de acidentes e na organização do trânsito em São Paulo. Em entrevista, ele detalhou os dados de um relatório consolidado que será enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), responsável por autorizar a ampliação do projeto.

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Segundo Persoli, a principal premissa da faixa azul é a preservação de vidas, e os números já permitem afirmar a efetividade da iniciativa. Atualmente, o modelo está implantado em mais de 270 quilômetros de vias da capital e segue como projeto piloto.

Queda na severidade dos acidentes

De acordo com o presidente da CET, um dos dados mais relevantes é a redução na gravidade dos acidentes. Nas faixas azuis, o índice de severidade é de 2,5%, enquanto nas demais faixas chega a 23%.

Persoli destacou ainda que, nos casos de acidentes com mortes registrados em vias com faixa azul, os motociclistas não estavam utilizando o espaço exclusivo no momento da ocorrência. Para ele, o dado reforça a importância da adesão ao projeto.

Redução de velocidade e maior controle

O relatório também aponta uma diminuição na velocidade média dentro da faixa azul. Segundo Persoli, a média registrada é de cerca de 49 km/h, inferior à de outras faixas, que podem ultrapassar os 52 km/h.

A fiscalização por radares também tem contribuído para a mudança de comportamento. O índice de desrespeito às regras caiu de 44% para 27% em trechos monitorados, o que, segundo o presidente da CET, indica maior conscientização dos condutores.

Alta aprovação entre motociclistas

A aceitação da faixa azul é outro ponto destacado na entrevista. De acordo com pesquisa realizada pela CET, 91% dos motociclistas preferem utilizar a faixa exclusiva. Além disso, 88% consideram a sinalização adequada e de fácil compreensão.

Persoli ressaltou que o uso da faixa tem crescido gradualmente, acompanhando a adaptação dos condutores ao novo modelo de circulação.

Melhorias e aperfeiçoamentos

Entre as melhorias previstas, o presidente da CET citou o reforço na sinalização, com pinturas mais visíveis, especialmente à noite, e a ampliação do uso de radares como ferramenta de fiscalização.

Outra medida em estudo é a comunicação mais clara dos limites de velocidade específicos para motociclistas, já que parte dos usuários ainda não reconhece a necessidade de respeitar as regras da via dentro da faixa azul.

Ampliação depende da Senatran

Apesar dos resultados positivos, a expansão do projeto ainda depende de autorização da Senatran. Persoli afirmou que cerca de 90 novos projetos aguardam liberação para implantação em outras vias da cidade.

Ele destacou que a análise do órgão federal leva em consideração diferentes realidades de trânsito no país, o que pode explicar a demora na autorização.

Interesse internacional no modelo

Durante a entrevista, Persoli também mencionou que a experiência de São Paulo tem despertado interesse internacional. Representantes de países como Espanha e França já procuraram a CET para conhecer o funcionamento da faixa azul.

Ao defender a ampliação do projeto, o presidente reforçou que a discussão deve se manter no campo técnico. Segundo ele, os dados apresentados no relatório são suficientes para comprovar a eficácia da medida na redução de acidentes e na melhoria da segurança viária.