
Faixa Azul
Rovena Rosa/Agência Brasil
O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Milton Roberto Persoli, afirmou que a faixa azul tem apresentado resultados positivos na redução de acidentes e na organização do trânsito em São Paulo. Em entrevista, ele detalhou os dados de um relatório consolidado que será enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), responsável por autorizar a ampliação do projeto.
Segundo Persoli, a principal premissa da faixa azul é a preservação de vidas, e os números já permitem afirmar a efetividade da iniciativa. Atualmente, o modelo está implantado em mais de 270 quilômetros de vias da capital e segue como projeto piloto.
Queda na severidade dos acidentes
De acordo com o presidente da CET, um dos dados mais relevantes é a redução na gravidade dos acidentes. Nas faixas azuis, o índice de severidade é de 2,5%, enquanto nas demais faixas chega a 23%.
Persoli destacou ainda que, nos casos de acidentes com mortes registrados em vias com faixa azul, os motociclistas não estavam utilizando o espaço exclusivo no momento da ocorrência. Para ele, o dado reforça a importância da adesão ao projeto.
Redução de velocidade e maior controle
O relatório também aponta uma diminuição na velocidade média dentro da faixa azul. Segundo Persoli, a média registrada é de cerca de 49 km/h, inferior à de outras faixas, que podem ultrapassar os 52 km/h.
A fiscalização por radares também tem contribuído para a mudança de comportamento. O índice de desrespeito às regras caiu de 44% para 27% em trechos monitorados, o que, segundo o presidente da CET, indica maior conscientização dos condutores.
Alta aprovação entre motociclistas
A aceitação da faixa azul é outro ponto destacado na entrevista. De acordo com pesquisa realizada pela CET, 91% dos motociclistas preferem utilizar a faixa exclusiva. Além disso, 88% consideram a sinalização adequada e de fácil compreensão.
Persoli ressaltou que o uso da faixa tem crescido gradualmente, acompanhando a adaptação dos condutores ao novo modelo de circulação.
Melhorias e aperfeiçoamentos
Entre as melhorias previstas, o presidente da CET citou o reforço na sinalização, com pinturas mais visíveis, especialmente à noite, e a ampliação do uso de radares como ferramenta de fiscalização.
Outra medida em estudo é a comunicação mais clara dos limites de velocidade específicos para motociclistas, já que parte dos usuários ainda não reconhece a necessidade de respeitar as regras da via dentro da faixa azul.
Ampliação depende da Senatran
Apesar dos resultados positivos, a expansão do projeto ainda depende de autorização da Senatran. Persoli afirmou que cerca de 90 novos projetos aguardam liberação para implantação em outras vias da cidade.
Ele destacou que a análise do órgão federal leva em consideração diferentes realidades de trânsito no país, o que pode explicar a demora na autorização.
Interesse internacional no modelo
Durante a entrevista, Persoli também mencionou que a experiência de São Paulo tem despertado interesse internacional. Representantes de países como Espanha e França já procuraram a CET para conhecer o funcionamento da faixa azul.
Ao defender a ampliação do projeto, o presidente reforçou que a discussão deve se manter no campo técnico. Segundo ele, os dados apresentados no relatório são suficientes para comprovar a eficácia da medida na redução de acidentes e na melhoria da segurança viária.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


