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Fim da escala 6x1: A conta que não fecha e a ameaça à economia

Em análise, Pedro Campos aponta que proposta para reduzir jornada de trabalho é inviável, pode gerar demissões e inflação, e seria uma manobra eleitoral do governo para reverter impopularidade.

Por Redação
REDAÇÃO

13/04/2026 • 10:45 • Atualizado em 13/04/2026 • 10:45

Fim da escala 6x1

Fim da escala 6x1

Tomaz Silva/Agência Brasil

Em um movimento que promete ser um dos grandes debates deste ano eleitoral, a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 36 horas, está gerando uma forte mobilização do setor produtivo brasileiro. Para o jornalista Pedro Campos, a medida, encabeçada por partidos da base do governo federal, é uma "venda de um sonho" populista que pode resultar em demissões, aumento de preços e um grave desajuste no mercado de trabalho.

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Em sua análise no Jornal Gente, Campos argumenta que os reais impactos da proposta não estão sendo claramente explicados à população. Segundo ele, a mudança é uma manobra para buscar popularidade em ano eleitoral e reverter a impopularidade do governo Lula, sem considerar as graves consequências econômicas.

O jornalista ressalta que a mudança constitucional seria drástica e desnecessária, uma vez que a reforma trabalhista de 2017 já permite que empresas, trabalhadores e sindicatos negociem acordos coletivos para estabelecer jornadas diferentes do padrão. "Nós temos bons exemplos em alguns setores de que houve essa negociação, foi bom para o empregador, foi bom para o empregado, eles chegaram a um acordo", pontua.

Para ilustrar a inviabilidade da proposta, Pedro Campos apresenta números do setor de transportes. Com 2,9 milhões de trabalhadores, a transição para uma jornada de 36 horas exigiria a contratação imediata de 500 mil novos funcionários. "Em primeiro lugar, isso é inviável do ponto de vista econômico, porque geraria um custo muito alto. Em segundo lugar, porque um levantamento mostra que nós não temos 500 mil trabalhadores prontos, preparados para assumir essas funções", analisa. Mesmo em um cenário mais brando, de 40 horas semanais, a necessidade seria de 270 mil novos trabalhadores, mão de obra qualificada que, segundo Campos, não está disponível no mercado.

"Então, nós estamos diante da venda de um sonho. É mais uma vez o governo atuando no ano eleitoral com toda a sua força para que nós possamos ter uma boa notícia para a população", conclui o jornalista.

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