A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6 por 1 pode votar o texto nesta quarta-feira.
A expectativa nos bastidores é que a proposta seja aprovada no colegiado e siga rapidamente para análise do plenário da Casa, prevista para ocorrer já nesta quinta-feira.
O texto em discussão prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho no Brasil, sem redução salarial.
Caso a proposta seja aprovada como está, a carga semanal cairá das atuais 44 horas para 42 horas sessenta dias após a promulgação da PEC.
Depois de um período de doze meses, haverá uma nova redução de duas horas, fixando a jornada máxima em 40 horas semanais.
Além da diminuição da carga horária, a proposta estabelece o fim da escala 6 por 1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga apenas um.
O período de transição foi o principal ponto de negociação nas últimas semanas.
O acordo construído entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o governo federal surpreendeu representantes do setor produtivo e integrantes do Centrão no Senado, que consideravam improvável um avanço tão rápido da proposta.
Diante da possibilidade concreta de aprovação, empresários da indústria e do comércio desembarcaram em Brasília para tentar negociar alterações no texto.
A principal preocupação do setor produtivo é o impacto econômico da medida, especialmente o aumento do custo da mão de obra. A avaliação de representantes empresariais é de que as empresas terão dificuldade para absorver as mudanças sem reajustar preços ao consumidor.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, alertou para os possíveis efeitos econômicos da proposta e defendeu mais debate sobre os impactos da redução da jornada.
Na mesma linha, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pediu mais tempo para discussão da PEC.
Integrantes do setor produtivo se reuniram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e solicitaram que a votação na Casa ocorra apenas após as eleições municipais, caso o texto seja aprovado pela Câmara.
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