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Governo estuda novo Desenrola diante da alta do endividamento no país

Programa deve ampliar acesso ao crédito e aliviar inadimplência, que atinge metade das famílias brasileiras.

Da redação
DA REDAÇÃO

28/04/2026 • 14:29 • Atualizado em 28/04/2026 • 14:29

Desenrola Brasil

Desenrola Brasil

Reprodução: Portal Gov

Endividamento pressiona famílias e governo reage

O avanço do endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro do debate econômico em Brasília. Dados recentes indicam que 49,9% das famílias estão endividadas, comprometendo, em média, cerca de 30% da renda mensal com pagamento de dívidas. Diante desse cenário, o governo federal discute a criação de uma nova versão do programa de renegociação, o chamado Desenrola 2.0.

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A iniciativa surge em um momento de pressão inflacionária, impulsionada principalmente pela alta dos combustíveis e alimentos, além do impacto do cenário internacional, como a elevação do preço do petróleo em decorrência das tensões no Oriente Médio. Esse ambiente tem dificultado o equilíbrio financeiro das famílias e aumentado a inadimplência.

Novo programa mira renda mais baixa

A proposta em discussão prevê atender pessoas com renda de até cinco salários mínimos, com condições facilitadas para renegociação de dívidas. Entre os pontos analisados estão taxas de juros reduzidas, possivelmente abaixo de 2% ao mês, e descontos que podem variar de 20% a até 90% sobre os débitos.

Uma das novidades em estudo é o uso do saldo do FGTS como garantia ou instrumento de apoio nas renegociações, medida que havia sido descartada anteriormente, mas voltou à pauta nas discussões recentes entre o governo e o setor financeiro.

Rotativo do cartão segue como vilão

Apesar de uma leve queda recente, os juros do rotativo do cartão de crédito continuam entre os principais fatores de agravamento do endividamento. As taxas ainda superam 400% ao ano, tornando a dívida praticamente impagável para grande parte da população que recorre ao crédito para despesas básicas.

Especialistas apontam que o uso do cartão para compra de itens essenciais, como alimentos, reflete uma situação de renda insuficiente, e não apenas falta de planejamento financeiro.

Críticas sobre efeito de curto prazo

Economistas ouvidos avaliam que o Desenrola 2.0 pode ter impacto imediato ao reduzir o volume de inadimplentes, especialmente em um contexto pré-eleitoral. No entanto, há ressalvas sobre a eficácia no longo prazo, já que o programa não enfrenta diretamente as causas estruturais do endividamento, como renda baixa, inflação e custo elevado do crédito.

Experiências anteriores mostram que, após renegociações, muitos consumidores voltam a se endividar diante das mesmas condições econômicas adversas.

Governo busca equilíbrio entre crédito e consumo

A discussão sobre o novo programa ocorre paralelamente ao debate sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. O cenário internacional instável e a pressão inflacionária reduzem as chances de novos cortes no curto prazo, o que mantém o crédito caro e limita o consumo.

Diante disso, o Desenrola 2.0 aparece como uma tentativa de aliviar o orçamento das famílias e estimular a atividade econômica, ainda que de forma pontual. O texto final do programa deve ser definido após novas reuniões entre a equipe econômica e o presidente da República.