
Margem Equatorial
Petrobras/Agência Brasil
Depois de cinco anos de debates, o Ibama concedeu a licença ambiental que autoriza a Petrobras a iniciar a perfuração do primeiro poço em águas profundas da Foz Equatorial, no extremo norte do Brasil. A autorização, emitida nesta segunda-feira (20), destrava um dos projetos mais aguardados do setor energético e pode marcar o início de uma nova fronteira petrolífera no país.
A autorização permite que a estatal comece imediatamente as atividades de pesquisa na costa do Amapá, a cerca de 500 quilômetros da Foz do Rio Amazonas e 200 quilômetros do litoral. No local, já está posicionada há dois meses uma sonda de perfuração de alta tecnologia, cujo aluguel diário custa R$ 4 milhões. O equipamento aguardava apenas a liberação do Ibama para iniciar os trabalhos.
A decisão encerra uma longa disputa entre o governo federal, o Ibama e o setor energético, que pressionava pela liberação do projeto desde 2020. A Guiana, país vizinho, iniciou a exploração na mesma região em 2015 e hoje é uma das economias que mais crescem no mundo, exportando mais petróleo do que a própria Venezuela.
A expectativa é que os primeiros resultados das perfurações sejam conhecidos até março de 2026. Se confirmada a presença de petróleo em volume e qualidade comercialmente viáveis, a região pode se tornar um novo “pré-sal”, com potencial para transformar a economia do norte do país.
O consultor e sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, avaliou a liberação como uma vitória técnica. “O Ibama demorou por razões muito mais ideológicas do que ambientais. A Petrobras cumpriu todas as exigências. Essa exploração pode trazer riqueza, melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer a preservação ambiental”, afirmou.
Entre as condicionantes impostas pelo Ibama estão a criação de centros de reabilitação de peixes-boi e quelônios amazônicos, além de um projeto de monitoramento de fluidos e cascalhos.
O governador do Amapá, Clécio Luiz Vieira, comemorou a decisão e destacou que o estado mantém 97% da cobertura florestal preservada, mas enfrenta os piores indicadores sociais e econômicos do país. “A Amazônia precisa de investimento e oportunidades. Só assim o desenvolvimento sustentável deixa de ser discurso e se torna realidade”, afirmou.
Com a licença concedida, o desafio agora será conciliar o avanço econômico com o compromisso ambiental — e garantir que o norte do Brasil participe dos benefícios de uma possível nova fronteira do petróleo.
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