
Moraes
Antônio Augusto/Secom/TSE
A recente prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, no âmbito das investigações que começaram com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, intensificou em Brasília o temor de que o caso se restrinja a operadores de menor escalão, poupando as figuras mais importantes citadas no escândalo. A análise, feita pelo jornalista Cláudio Humberto, aponta para uma forte blindagem institucional que pode impedir o avanço das apurações sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Embora as investigações tenham revelado diálogos explícitos sobre negociação de propinas através de imóveis de alto padrão, a percepção é que o caso dificilmente chegará ao STF. Um dos principais obstáculos seria a atuação do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Segundo Humberto, Gonet, que chefia o Ministério Público e é o titular da ação penal, já sinalizou publicamente que não vê indícios de irregularidades nas relações de Vorcaro com os ministros. Isso inclui a ligação de Toffoli com um resort de luxo e um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado a Moraes.
Essa postura do PGR, na prática, inviabiliza o início de uma investigação formal contra os magistrados. Consequentemente, uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, que pudesse implicar os ministros, perderia o sentido, pois seria barrada na própria Procuradoria. Para o analista, não haveria incentivo para o banqueiro confessar crimes envolvendo os ministros se o chefe da acusação já manifestou a intenção de não investigar.
Outro fator que contribui para o ceticismo é o corporativismo do Judiciário. O ministro relator do caso, André Mendonça, é descrito como sério e independente, mas avalia-se que ele pode sofrer pressões e ser "sufocado" pelos seus pares. Humberto cita como exemplo a situação do senador Alessandro Vieira, que após relatar uma CPI e pedir o indiciamento de ministros, agora enfrenta um processo movido por Gilmar Mendes, o que é visto como uma retaliação e um aviso.
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