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Jornalista presta depoimento à PF após busca autorizada por Moraes

Investigação apura suposto monitoramento ilegal envolvendo Flávio Dino; entidades de imprensa criticam decisão e apontam risco ao sigilo da fonte

Por Redação
REDAÇÃO

14/03/2026 • 10:56 • Atualizado em 14/03/2026 • 10:56

Jornalista depõe à PF após busca ordenada por Moraes

Jornalista depõe à PF após busca ordenada por Moraes

Reprodução

O jornalista Luiz Pablo Conceição Almeida prestou depoimento à Polícia Federal após ser alvo de uma operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A investigação está relacionada à produção de reportagens sobre o ministro da Corte Flávio Dino.

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O depoimento ocorreu na Superintendência da Polícia Federal em São Luís, no Maranhão, e durou cerca de 20 minutos. Durante a oitiva, o jornalista foi informado pelo delegado responsável de que, por exercer atividade jornalística, possui o direito constitucional de preservar o sigilo da fonte.

Orientado por seu advogado, Luiz Pablo Conceição Almeida optou por permanecer em silêncio. Segundo a defesa, o foco da investigação seria identificar quem teria repassado informações relacionadas ao ministro Flávio Dino que foram utilizadas nas reportagens publicadas.

No ano passado, o jornalista divulgou matérias sobre o uso de um carro blindado por Flávio Dino e familiares no Maranhão. De acordo com a Polícia Federal, as publicações levantaram suspeitas de que poderia ter havido monitoramento ilegal envolvendo o ministro.

Flávio Dino afirmou que o veículo citado nas reportagens pertence ao Tribunal de Justiça do Maranhão e é utilizado por ele exclusivamente por razões de segurança. Segundo o ministro, o compartilhamento desse tipo de veículo institucional é autorizado pelo Conselho Nacional de Justiça.

Durante a operação autorizada por Alexandre de Moraes, agentes apreenderam celulares e um notebook na residência do jornalista. Os equipamentos foram recolhidos para perícia técnica. O caso está vinculado ao inquérito das fake news, que tramita no Supremo Tribunal Federal há cerca de sete anos e tem Moraes como relator.

A decisão judicial gerou reação de entidades representativas da imprensa. Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), juntamente com outras organizações do setor, afirmou que a medida viola o preceito constitucional que garante o sigilo da fonte jornalística.

As entidades também avaliaram que a decisão representa um ataque à liberdade de imprensa. Para os signatários da nota, a preservação da confidencialidade das fontes é um dos pilares da atividade jornalística e condição essencial para a produção de reportagens de interesse público.

O caso segue em investigação pela Polícia Federal, enquanto os equipamentos apreendidos passam por análise pericial para auxiliar na apuração dos fatos.