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Justiça mantém segurança preso por agressão e abandono de empresário que morreu em Guarulhos

David Ferreira, 45, é acusado de dar um soco fatal em Paulo Vinícius dos Santos, 35, e omitir socorro. Vítima morreu após 5 dias internada

Por Redação
REDAÇÃO

28/10/2025 • 14:37 • Atualizado em 28/10/2025 • 14:37

A Justiça de São Paulo decidiu manter preso o segurança David Ferreira, de 45 anos, acusado de causar a morte do empresário Paulo Vinícius dos Santos, de 35, em Guarulhos. O crime ocorreu na madrugada do último dia 20 de outubro, quando o segurança deu um soco na vítima na porta de uma adega. Paulo Vinícius caiu, bateu a cabeça e, após ser arrastado pelo agressor e ter o socorro omitido, foi resgatado apenas duas horas depois. Ele morreu no hospital após cinco dias internado.

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Agressão, omissão e morte

Imagens de câmeras de segurança, exibidas na Rádio Bandeirantes, mostram Paulo Vinícius em uma discussão na porta da adega. Após uma breve interação, o segurança David Ferreira desfere um soco violento. O empresário cai imediatamente, batendo a cabeça no chão e ficando desacordado.

Conforme a reportagem, Paulo não é socorrido. Cerca de 10 minutos depois, o próprio segurança e outra pessoa arrastam a vítima "pelas pernas e braços" para um estacionamento ao lado. O agressor ainda retorna para devolver o celular da vítima, que, em determinado momento, se arrasta de volta para a frente da loja, sem forças para levantar.

Duas horas de espera pelo resgate

Paulo Vinícius só foi resgatado quase duas horas depois, quando um transeunte o viu caído e chamou o socorro. No hospital, ele foi internado como "vítima sem identificação", pois estava sem documentos. Segundo o delegado Alisson Idal, a identificação só ocorreu 24 horas depois, quando um amigo ligou para o celular da vítima e foi atendido pela equipe médica.

A família transferiu Paulo para um hospital particular, mas as lesões na cabeça eram muito graves e ele faleceu cinco dias depois. A irmã da vítima, Caroline Martins, pede justiça: "com certeza se ele tivesse tido socorro imediatamente [...] ele poderia estar aqui".

"Ele assume o risco de matar"

O segurança, que possui antecedentes criminais e foi preso ontem (27) em Arujá, alegou à imprensa que apenas se defendeu: "Eu só revidei. Ele deu um soco, eu revidei" . Para o apresentador Joel Datena, a situação é mais grave do que a agressão inicial, focando na omissão de socorro.

"Esse crime aí [...] foi um crime assim brutal e a gente tem que separar as duas ações: o soco do que ele fez depois", analisou Joel. O apresentador questionou a legítima defesa: "Eu acho que ele deu um soco no cara mesmo porque ele queria dar e sentar o murrão na cara do rapaz".

Joel Datena criticou duramente a conduta do segurança após a queda da vítima: "A primeira coisa que ele tinha que fazer como segurança do local era ligar pro socorro [...] além de não fazer isso, ele esconde o corpo do cara". Para o apresentador, essa atitude caracteriza um crime mais grave: "Ao esconder o corpo da vítima e preterir aquele atendimento necessário [...] ele contribui com a morte. Então aí você tem um dolo eventual, ele assume sim o risco de que aquela vítima poderia morrer".

"Gente despreparada", diz Joel

O caso levantou um debate sobre a atuação de seguranças em estabelecimentos comerciais. Joel Datena criticou o que vê como uma tendência de falta de qualificação profissional.

"Eu vejo cada vez mais infelizmente gente despreparada cumprindo essa função", afirmou. Ele destacou que a função da segurança em locais de festa ou bares é "manter a ordem" e "evitar confusão", exigindo preparo psicológico para lidar com provocações.

"Esse segurança aí matou o Paulo ali de graça, de bobeira, simplesmente porque resolveu se mostrar como um cara forte [...] que é gigante que é e dá um socão na cara de um sujeito que tava embriagado", concluiu o apresentador.

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