
Lula
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, durante agenda oficial na Alemanha, a forma como líderes internacionais têm conduzido decisões relacionadas a conflitos e sanções globais, com menção indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A declaração foi feita durante a abertura da Hannover Messe, uma das maiores feiras de inovação e tecnologia industrial do mundo, que neste ano homenageia o Brasil. No evento, Lula tratou do cenário geopolítico internacional e defendeu mudanças na estrutura de governança global, com ênfase na reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Sem citar diretamente o nome de Trump, o presidente brasileiro criticou o que descreveu como a postura de líderes que utilizam redes sociais para tomar decisões com impacto internacional. Ele afirmou que não é aceitável que um chefe de Estado “por tweet” ou por publicações em redes sociais possa impor sanções, punir países ou influenciar conflitos armados.
Durante o discurso, Lula também questionou a efetividade das instituições multilaterais diante das guerras em andamento e defendeu maior atuação coordenada da comunidade internacional para enfrentar crises humanitárias e deslocamentos populacionais.
Além das críticas ao cenário político global, o presidente destacou o papel do Brasil no contexto energético internacional. Lula afirmou que o país pode contribuir para a União Europeia na redução de custos de energia e no processo de descarbonização industrial, ressaltando a importância da matriz energética brasileira e de políticas voltadas à transição energética.
Ele também fez um apelo para que o bloco europeu considere as características da produção agrícola brasileira em negociações comerciais, defendendo que regras ambientais e comerciais levem em conta a sustentabilidade já presente em parte da produção nacional. Segundo o presidente, barreiras adicionais a biocombustíveis poderiam ser contraproducentes do ponto de vista ambiental e energético.
Lula encerra sua agenda na Alemanha após uma série de compromissos oficiais, que incluem a assinatura de cerca de dez acordos em áreas como defesa, inteligência artificial, clima e energia. A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio próxima de 21 bilhões de dólares.
O presidente ainda cumpre agenda em Lisboa, onde se reunirá com autoridades portuguesas para tratar de temas bilaterais, incluindo mudanças na legislação de nacionalidade que impactam brasileiros residentes em Portugal.
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