O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) protocolou o pedido de arquivamento das investigações sobre a morte do "Cão Orelha", ocorrida em janeiro deste ano, em Florianópolis. O parecer, assinado por três promotores, aponta inconsistências técnicas e falta de provas que liguem os adolescentes investigados a uma suposta agressão contra o animal. O pedido aguarda análise do Juízo de Direito da Vara da Infância e Juventude da capital catarinense.
Inconsistências temporais e espaciais
A decisão do Ministério Público ocorreu após a revisão de aproximadamente 2 mil arquivos, incluindo laudos periciais e imagens de circuitos de segurança. De acordo com o MP-SC, houve um "descompasso temporal" de cerca de 30 minutos entre os registros de câmeras de um condomínio e o sistema público de monitoramento.
A perícia técnica indicou que, no horário estimado em que a agressão teria ocorrido, o adolescente investigado encontrava-se a aproximadamente 600 metros de distância do animal. Diante dos dados, o órgão concluiu que os suspeitos não estavam com o cão no momento do incidente.
Laudo de exumação descarta agressão humana
Outro ponto determinante para o pedido de arquivamento foi o laudo da Polícia Científica realizado após a exumação do corpo do animal. O documento oficial afirma que não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com violência causada por ação humana.
O "Cão Orelha", que vivia em uma comunidade local há cerca de 10 anos, foi encontrado debilitado com ferimentos na cabeça em 4 de janeiro. Ele foi levado a uma clínica veterinária, onde passou por eutanásia devido à gravidade do seu quadro clínico.
Impacto social e linchamento virtual
O caso gerou repercussão nacional e motivou protestos, além de impulsionar debates sobre leis de maus-tratos a animais. No entanto, o desenrolar das investigações também foi marcado por um intenso "linchamento virtual" contra os familiares dos adolescentes suspeitos, após o vazamento de imagens e informações que o Ministério Público agora classifica como equivocadas.
A defesa dos adolescentes sustenta, desde o início do processo, que nenhuma prova concreta foi apresentada contra os jovens. Com o parecer do MP-SC pelo arquivamento, o caso caminha para um desfecho sem condenações, evidenciando falhas na etapa inicial das investigações policiais.
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