
JD Vance
REUTERS/Kevin Lamarque
A abertura das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão ocorre em meio a um cenário de alta tensão internacional e expectativas de avanço, mas também de grande incerteza sobre a possibilidade de um acordo. A avaliação é da professora de Relações Internacionais Denilde Holzhacker, em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes.
Segundo a especialista, embora haja expectativa de progresso, o processo diplomático é considerado frágil, já que ambos os lados demonstram baixa disposição para concessões em pontos centrais da negociação.
A professora também analisou o impacto interno das negociações nos Estados Unidos, afirmando que a condução do processo pelo vice-presidente JD Vance sinaliza maior predisposição ao diálogo e menor inclinação a conflitos militares, o que pode reduzir impactos econômicos e militares para o país.
Ao mesmo tempo, ela observa que o governo norte-americano busca responsabilizar o Irã caso não haja avanço nas conversas, reforçando internamente uma narrativa de endurecimento caso o acordo não se concretize.
No contexto regional, Denilde Holzhacker aponta que o Oriente Médio vive um cenário de elevada complexidade, com múltiplos conflitos paralelos, incluindo a situação no Líbano e a atuação de Israel contra o Hezbollah. Ela destaca que há disputas sobre a inclusão ou não do Líbano nas negociações, além de movimentações militares e diplomáticas simultâneas.
Outro ponto abordado é a baixa efetividade das organizações internacionais, especialmente diante dos impasses no Conselho de Segurança da ONU, o que, segundo ela, leva a um aumento de negociações bilaterais e mediadas por países específicos, como o Paquistão.
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