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Novo medicamento dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas

Resultados apresentados em congresso nos Estados Unidos apontam avanço inédito no tratamento de um dos tumores mais agressivos.

Da redação
DA REDAÇÃO

03/06/2026 • 15:25 • Atualizado em 03/06/2026 • 15:38

Câncer de pâncreas

Câncer de pâncreas

Reprodução

Resumo

Apresentação de um novo medicamento chamado Daraxon-Hacib durante o principal congresso de oncologia dos Estados Unidos é apontada como avanço significativo no tratamento do câncer de pâncreas, após estudo com cerca de 500 pacientes em diferentes continentes comprovar eficácia em dobrar a sobrevida e reduzir em 60% o risco de morte em pacientes que não responderam à quimioterapia convencional.

Atuação do medicamento ocorre sobre a mutação genética KRAS, presente em até 90% dos casos de câncer de pâncreas, sendo destacada por especialistas como marco e possível novo padrão no tratamento da doença, que possui baixa taxa de diagnóstico precoce e sobrevivência limitada mesmo em estágios iniciais.

Conclusão bem-sucedida da fase 3 dos testes clínicos levará a Revolution Medicines a submeter os resultados à agência regulatória FDA nos Estados Unidos, com expectativa de expansão para outros países caso seja aprovado, embora etapas regulatórias ainda precisem ser cumpridas antes da disponibilização do medicamento aos pacientes.

Um novo medicamento apresentado durante o principal congresso de oncologia dos Estados Unidos está sendo apontado por especialistas como um avanço significativo no tratamento do câncer de pâncreas, considerado um dos tipos mais agressivos e letais da doença.

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Os resultados da pesquisa foram divulgados em Chicago e geraram forte repercussão entre médicos e pesquisadores da área.

O estudo envolveu cerca de 500 pacientes da América do Norte, Europa e Ásia e avaliou a eficácia do medicamento Daraxon-Hacib em pessoas com câncer de pâncreas metastático que já haviam sido submetidas à quimioterapia, mas não apresentaram resposta satisfatória ao tratamento convencional.

De acordo com os dados apresentados, o remédio conseguiu dobrar a sobrevida dos pacientes participantes da pesquisa. Além disso, houve uma redução significativa no risco de morte, que caiu em aproximadamente 60% dos casos avaliados.

Câncer de pâncreas está entre os mais letais

O câncer de pâncreas é conhecido pela dificuldade de diagnóstico precoce. Em grande parte dos casos, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que faz com que muitos pacientes descubram o tumor já em estágio avançado.

Segundo especialistas, apenas uma parcela reduzida dos pacientes sobrevive por mais de cinco anos após o diagnóstico. Mesmo quando identificado precocemente, o índice de sobrevivência permanece limitado em comparação com outros tipos de câncer.

Por essa razão, os resultados apresentados pela nova terapia foram recebidos com entusiasmo pela comunidade médica.

Medicamento atua em mutação presente na maioria dos tumores

O oncologista Túlio Pfeiffer, do Hospital Sírio-Libanês, participou do congresso em Chicago e destacou o impacto dos resultados observados.

Segundo o médico, o medicamento atua diretamente sobre uma mutação genética conhecida como KRAS, presente em até 90% dos casos de câncer de pâncreas.

“Essa molécula bloqueia a mutação do KRAS, uma característica biológica presente em até 90% dos tumores de pâncreas.”

Pfeiffer afirmou ainda que o benefício clínico observado representa um marco para a oncologia.

“Certamente é uma quebra de paradigma, certamente é um novo padrão de tratamento para essa população de pacientes.”

Próximos passos para aprovação

O Daraxon-Hacib é administrado por meio de comprimidos de uso diário. Após a conclusão bem-sucedida da fase 3 de testes clínicos, a farmacêutica responsável pelo desenvolvimento do medicamento, a Revolution Medicines, deverá encaminhar os resultados às autoridades regulatórias dos Estados Unidos.

A expectativa é que a documentação seja analisada pela agência americana FDA, responsável pela aprovação de novos tratamentos no país. Caso obtenha autorização, o processo poderá ser expandido para outros mercados, incluindo o Brasil.

Especialistas destacam que ainda há etapas regulatórias a serem cumpridas antes que o medicamento esteja disponível para os pacientes, mas avaliam que os resultados obtidos até o momento representam um dos avanços mais relevantes já registrados no combate ao câncer de pâncreas.

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