
Trump em Davos
REUTERS/Jonathan Ernst
Trump em Davos foi o principal destaque de mais um dia do Fórum Econômico Mundial, marcado por discursos fortes e repercussão internacional. O presidente dos Estados Unidos anunciou a criação do chamado Conselho de Paz para Gaza e voltou a exaltar ações de seu governo na política externa, afirmando que contribuiu para o fim de conflitos e para um cenário global mais seguro.
Durante o discurso, Trump repetiu argumentos apresentados em aparições recentes nos Estados Unidos e declarou que encerrou oito guerras no mundo, afirmação que gerou questionamentos entre líderes europeus. Ele também disse que capturou o ditador Nicolás Maduro, que desarticulou o programa nuclear do Irã e que pretende solucionar tanto a guerra da Ucrânia quanto o conflito em Gaza, defendendo o desarmamento completo do Hamas.
O lançamento do Conselho de Paz para Gaza gerou preocupação entre países europeus. A iniciativa é vista como polêmica, diante do receio de que o órgão ultrapasse a reconstrução do território e se transforme em uma estrutura paralela à ONU, sob influência direta dos Estados Unidos.
Trump também se reuniu com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para dar continuidade às negociações de paz com a Rússia. Segundo o negociador americano Steve Witkoff, as tratativas avançaram, embora ainda exista um ponto de divergência. Witkoff segue para Moscou para aprofundar as negociações.
Enquanto isso, líderes europeus se reuniram em Bruxelas para discutir como a União Europeia deve se posicionar diante da chamada era Trump. O bloco demonstra preocupação com o afastamento dos Estados Unidos, a pressão da Rússia, disputas comerciais e a perda de competitividade econômica, além do atraso europeu na revolução tecnológica e na inteligência artificial.
No discurso, Trump fez duras críticas à Europa, afirmando que o continente não cresce, que a imigração ilegal alterou a identidade dos países e que as políticas da esquerda enfraqueceram a região. As declarações foram comparadas por autoridades europeias a um ataque direto ao bloco.
Apesar das críticas, Trump anunciou à noite um acordo com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que evitaria o aumento de tarifas contra a Europa. Os termos do acordo não foram detalhados. A primeira-ministra da Dinamarca afirmou que está aberta à cooperação econômica e de segurança, mas reforçou que não abrirá mão da soberania da Groenlândia, território que Trump voltou a considerar estratégico para a segurança global.
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